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Hidradenite supurativa - não é apenas a inflamação após raspagem da axila

A Hidradenite supurativa, também chamada de acne inversa, é uma doença inflamatória das glândulas sudoríparas apócrinas, ou seja, as glândulas de suor que liberam seu produto nos folículos pilosos (Figura 1). Não possui causa específica e é considerada multifatorial, tendo participação de predisposição genética, alterações hormonais, pressão alta, dislipidemias , resposta inflamatória orgânica inadequada, além de fatores externos, como obesidade, tabagismo, atrito e uso de medicações (p. ex. isotretínoina, contraceptivos e lítio).

Fonte: arquivo próprio

Figura 1 - Processo inflamatório associado à retrações

As lesões aparecem por oclusão folicular, associada ao aumento de pressão no folículo piloso, consequente dilatação e ruptura do mesmo. O extravasamento do conteúdo gera uma reação inflamatória que se torna exacerbada e persistente e que culmina com formação de abscessos e fístulas.

Esta doença se inicia após a puberdade, principalmente em adultos jovens e é mais frequente em mulheres, todavia, nos homens a idade de maior atividade fica em torno dos 50 anos. Os locais mais acometidos são as axilas, virilha, glútea e perianal. É mais comum em pessoas afro-americanas e hispânicas.

Características clínicas

A principal característica da hidradenite é a inflamação, que se apresenta agudamente, às vezes com formação de abscessos e infecções de pele, que são em sua maioria tratadas com drenagem cirúrgica ou espontânea do pus acumulado e uso de antibióticos. O maior problema é que este processo é recorrente e a constante inflamação e cicatrização culmina com a formação de cicatrizes inestéticas, que deformam a região, causando restrição de movimentos e perda de qualidade de vida, além de retração social. As fístulas eliminam secreção fétida que suja a região causando muito sofrimento e levando alguns pacientes à depressão e ao suicídio (figura 2).

Fonte: arquivo próprio

Figura 2 - Processo inflamatório na região perianal

Existem outras complicações clínicas que não estão diretamente ligadas à hidradenite supurativa, mas que são encontradas nestes pacientes, como obstrução linfática, anemia, amiloidose, carcinomas de pele, depressão, artropatias e osteomielites.

Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico, com lesões típicas, no mesmo local, associadas ao frequente processo de inflamação e cicatrização.

As principais características são:

- lesões inflamatórias recorrentes, com frequência maior que duas vezes em seis meses no mesmo local

- lesões nodulares, fistulizantes e cicatrizes deformantes (atrofias ou queloides)

- localizadas nas regiões típicas como axila, virilha, perineal, perianal, nádegas e dobras.

A figura 3 representa os locais mais acometidos, distribuídos com relação a ambos os sexos

Não existe exame laboratorial que defina a doença, mas alguns exames e métodos de imagem como a ultrassonografia de pele podem ajudar a avaliar os processos inflamatórios, determinando seu tipo, bactérias envolvidas e exclusão de diagnósticos alternativos, auxiliando assim na definição do problema.

Fonte: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2019/Relatorio_PCDT_Hidradenite_Supurativa_CP_35_2019.pdf

Figura 3 - Distribuição das lesões em ambos os sexos

Tratamento

O tratamento depende do estágio e gravidade da doença, sendo que existem classificações que ajudam o profissional médico a escolher qual a melhor opção. É importante que o paciente entenda que, por se tratar de uma doença que acomete os folículos pilosos, ela tende a ser difusa e o tratamento vai ser direcionado a minimizar o processo inflamatório/infeccioso, evitar as complicações cicatriciais definitivas e tratá-las em casos inevitáveis.

A primeira abordagem deve ser não medicamentosa com higiene local, de forma suave sem excesso de atrito. Deixar a região livre de umidade excessiva, ventilada e sem produtos que obstruam os folículos. Roupas de materiais sintéticos devem ser evitadas e curativos absorventes podem ser utilizados em feridas muito secretivas.

O tratamento clínico utiliza antibióticos orais ou tópicos, a isotretinoína e em último caso, drogas biológicas anti-fator de necrose tumoral como o adalimumabe. A escolha varia de acordo com a gravidade da doença e só pode ser indicada pelo médico assistente do paciente.

A cirurgia está indicada para as complicações com formação de abscesso que devem ser drenados, para correção ou ressecção de cicatrizes viciosas, que são o último caso.

Lembrem-se sempre, a Hidradenite supurativa é uma doença complexa, que deve ser tratada por equipe multidisciplinar experiente e não deve nunca ser abordada sem a orientação do profissional médico.

Bibliografia de referência

http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2019/Relatorio_PCDT_Hidradenite_Supurativa_CP_35_2019.pdf

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