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Câncer de reto: opção de tratamento além da cirurgia

  • 2 de jun.
  • 4 min de leitura

É muito importante nos atualizarmos sobre as formas de tratamento do câncer de reto, enfermidade que, juntamente com os tumores do cólon, representa mais de 21 mil novos casos em homens e mais de 23 mil em mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).


O objetivo deste texto é abordar as inovações na medicina em relação a tumores desse tipo, mas é importante lembrar que mudanças futuras na literatura médica podem gerar divergências no conteúdo.


Características do câncer de reto

O câncer de reto é o que acomete a porção final do intestino grosso. O câncer de intestino, em geral, é um assunto que amedronta todas as pessoas, e algumas evitam a palavra “câncer”.


Dentre os tipos de tumores malignos dessa região, o câncer de reto talvez seja o que mais gera apreensão. Ainda que ele não seja o mais mortal, o temor se deve às consequências do tratamento.


Evolução do tratamento para câncer de reto

Até 1982, a cirurgia era a principal indicação para qualquer câncer de reto palpável ao exame retal. O procedimento cirúrgico consistia na ressecção de toda a parte final do intestino, incluindo o reto e o ânus, o que resultava em algo incômodo para os pacientes: a bolsa de colostomia.


Em outras palavras, a pessoa deveria passar a portar uma colostomia definitiva. A cirurgia consistia em desviar o trânsito do intestino para a parede abdominal (barriga) e na colocação de uma bolsa coletora de fezes.


Mudanças na cirurgia de câncer de reto

Entretanto, a partir da década de 1980 houve uma revolução no tratamento dos cânceres de reto, com a introdução de uma cirurgia chamada de Excisão Total do Mesorreto (ETM), criada pelo cirurgião inglês Dr. Bill Heald.


A ETM mudou a relação dos especialistas com os planejamentos cirúrgicos, uma vez que permitiu a liberação delicada dos tecidos, a preservação das estruturas anatômicas dos pacientes e a retirada da lesão com margens livres de doença.


A mudança de paradigma, associada ao advento dos grampeadores automáticos – importantes mecanismos para a sutura dos cortes cirúrgicos –, permitiu que lesões do reto muito próximas ao ânus pudessem ser removidas cirurgicamente e que o trânsito intestinal pudesse ser restabelecido, sem necessidade de colostomia definitiva.


Tratamentos de radioterapia e quimioterapia

Outra abordagem introduzida nessa época foi a realização de radioterapia associada à quimioterapia antes da cirurgia, sendo essa conduta conhecida como neoadjuvante.


Essa medida fazia com que alguns tumores de pior evolução pudessem ser estabilizados e, então, era possível alcançar um resultado de sobrevida livre da doença.

Encontrar formas individualizadas de tratar o câncer de reto é fundamental
Encontrar formas individualizadas de tratar o câncer de reto é fundamental

Pesquisa e legado de cirurgiã brasileira

A cirurgiã brasileira Dra. Angelita Habr-Gama observou que alguns dos pacientes da abordagem neoadjuvante apresentavam uma grande regressão das lesões. Ou seja, na análise dos materiais removidos na cirurgia, não era mais possível identificar tecido tumoral, o que caracteriza a chamada resposta patológica completa.


Foi então que a Dra. Angelita começou a estudar para entender por que isso ocorria e também se essa regressão do câncer de reto seria sustentável.


Na pesquisa da cirurgiã, ficou constatado que, com o uso de esquemas de quimioterapia e radioterapia específicos, era possível conseguir que uma taxa significativa de pacientes tivesse a tal resposta clínica e radiológica completa, isto é, a reação esperada nas terapias contra o câncer de reto.


Com isso, essas pessoas foram acompanhadas em um tipo de tratamento chamado de observar e esperar (“Watch and Wait” – WW). Uma taxa significativa de indivíduos mantinha essa mesma resposta e, então, era possível descartar a cirurgia. Portanto, não seria necessário enfrentar as consequências do tratamento.


Dra. Angelita, que dedicou a vida à ciência, faleceu em 30 de maio de 2026, aos 92 anos, em São Paulo. Com um trabalho que revolucionou o tratamento do câncer de reto, seu legado permanecerá vivo em cada profissional que ajudou a formar, em cada paciente cuja vida foi transformada por suas contribuições e em cada avanço científico construído a partir de seu trabalho.

Evolução do tratamento de câncer de reto, com imagens de antes, após 6 semanas e depois do tratamento
Evolução do tratamento de câncer de reto, com imagens de antes, após 6 semanas e depois do tratamento

Abordagem individualizada do câncer de reto

É importante ressaltar que nem todos os pacientes do tratamento mencionado respondiam de maneira completa, nem sustentavam essa resposta. Por isso, a abordagem não era usada de maneira generalizada.


Em alguns casos, o tratamento cirúrgico com ETM era mantido, associado ou não à radioterapia e à quimioterapia pré-operatória, sendo o padrão-ouro no tratamento do câncer de reto.


Indicações cirúrgicas para câncer de reto

O paciente que apresentar tumor muito próximo ao ânus ou cujo câncer invadir as estruturas próximas à região anal ainda irá precisar de cirurgia de amputação de reto.


Nesses casos, as pessoas submetidas ao tratamento neoadjuvante que apresentarem resposta clínica e radiológica completa teriam indicação de ótimo risco-benefício para acompanhamento.


Outros tipos de lesão também podem ter indicação de acompanhamento WW, mas esses casos devem ser discutidos sempre por equipes multidisciplinares compostas por cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas e radiologistas.


Vale lembrar, ainda, que as técnicas cirúrgicas têm avançado muito nos últimos anos, inclusive com a cirurgia robótica.


Informação séria para o paciente é fundamental

Hoje é primordial que o paciente tenha conhecimento sobre esse tipo de tratamento para o câncer de reto, além de compreender seus benefícios e riscos.


Além disso, a decisão quanto à abordagem deverá ser tomada em conjunto, ou seja, entre o paciente e seu médico coloproctologista, com base nas melhores informações disponíveis.


Para tanto, os pacientes não devem ter medo de perguntar sobre as modalidades no combate a tumores, especialmente aqueles que têm câncer de reto e podem se beneficiar muito com o tratamento precoce.


Então, fique atento às informações e às recomendações médicas!

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