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Câncer de reto: existe tratamento sem cirurgia?


Entenda os tratamentos para câncer de reto

É muito importante nos atualizarmos sobre as abordagens terapêuticas a respeito do câncer de reto, enfermidade que deve representar mais de 40 mil novos casos entre 2020 e 2022, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O objetivo deste texto é falar justamente das inovações na medicina com relação a tumores desse tipo, mas acho importante e transparente lembrar que mudanças futuras na literatura médica podem gerar divergências com o conteúdo.

O que é o câncer de reto

O câncer de reto é aquele que acomete a porção final do intestino grosso. Na verdade, câncer de intestino, em geral, é um assunto que amedronta a todas as pessoas. Pacientes chegam a evitar a palavra “câncer”, com medo do que ela representa.

Dentre os tipos de tumores malignos dessa região, aquele que acomete o reto talvez seja o que gera mais apreensão. O motivo não é necessariamente pelo câncer de reto ser mais mortal, pois esse não é o caso. Mas a razão do temor se deve pelas consequências de seu tratamento.

Evolução dos tratamentos para câncer de reto

Até 1982, a cirurgia era a principal indicação para qualquer câncer de reto que pudesse ser tocado pelo dedo durante o exame retal. Esse procedimento consistia na ressecção de toda parte final do intestino, incluindo o reto e o ânus, o que acabava levando a uma incômoda consequência para o paciente.

Em outras palavras, a pessoa deveria passar a portar uma colostomia definitiva, uma vez que era feito um desvio do trânsito do intestino para a parede abdominal e a colocação de uma bolsa coletora de fezes.

Mudanças na cirurgia para câncer de reto

Entretanto, a partir da década de 1980 houve uma revolução no tratamento dos cânceres de reto, com a introdução de uma cirurgia chamada de Excisão Total do Mesorreto (ETM), criada pelo cirurgião inglês Dr. Bill Heald.

A ETM mudou a relação dos especialistas com os planejamentos cirúrgicos, uma vez que permitiu a liberação delicada dos tecidos, a preservação das estruturas anatômicas dos pacientes e a retirada da lesão com margens livres de doença.

A mudança de paradigma, associada ao advento dos grampeadores automáticos – importantes mecanismos para a sutura dos cortes cirúrgicos –, permitiram que lesões de reto muito próximas ao ânus pudessem ser removidas pela cirurgia e que o trânsito intestinal pudesse ser refeito, não havendo a necessidade da colostomia definitiva.

Tratamentos de radioterapia e quimioterapia

Outra abordagem introduzida nessa época teve relação com a realização de radioterapia associada à quimioterapia, antes de operar o paciente, sendo essa uma conduta conhecida como neoadjuvante.

Especialistas identificaram que essa medida fazia com que alguns tumores de pior evolução pudessem ser melhorados e, então, era possível alcançar um resultado de sobrevida livre da doença.

Encontrar formas individualizadas de tratar o câncer de reto é fundamental

Pesquisa de cirurgiã brasileira

A cirurgiã brasileira Dra. Angelita Habr-Gama observou que alguns dos pacientes da abordagem descrita acima apresentavam uma grande regressão das lesões. Ou seja, na análise dos materiais removidos na cirurgia, não era possível mais identificar tecido tumoral, a chamada resposta patológica completa.

Foi então que a Dra. Angelita começou com estudos para entender porque isso ocorria e também se essa regressão do câncer de reto seria sustentável.

Nos estudos da cirurgiã ficou constatado que, com o uso de esquemas de quimioterapia e radioterapia específicos levava, era possível conseguir que uma taxa significativa de pacientes tivessem a tal resposta clínica e radiológica completa, isto é, a reação esperada nas terapias contra câncer de reto.

Com isso, essas pessoas foram acompanhadas em um tipo de tratamento chamado de observar e esperar (“Watch and Wait” – WW). Uma taxa significativa de indivíduos mantinha essa mesma resposta e, então, era possível descartar a cirurgia. Portanto, não seria necessário enfrentar as consequências do tratamento.

Evolução do tratamento de câncer de reto, com imagens de antes, após 6 semanas e depois do tratamento

Análise individual do câncer de reto

É importante ressaltar que nem todos os pacientes do tratamento mencionado respondiam de maneira completa, nem sustentavam essa resposta. Por isso, a abordagem não era usada de maneira generalizada.

Em alguns casos, o tratamento cirúrgico com ETM era mantido, associado ou não à radioterapia e à quimioterapia pré-operatória, sendo o padrão ouro no tratamento do câncer de reto.

Indicações cirúrgicas para câncer de reto

O paciente que apresentar tumor muito próximo ao ânus ou cujo câncer invadir as estruturas próximas à região anal ainda irá precisar de cirurgia de amputação de reto. Nesses casos, essas pessoas que forem submetidas ao tratamento neoadjuvante e que apresentarem resposta clínica e radiológica completa teriam uma indicação de ótimo risco-benefício em serem acompanhadas.

Outros tipos de lesão também podem ter a indicação de acompanhamento WW, mas esses casos devem ser discutidos sempre por equipes multidisciplinares compostas de cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas e radiologistas.

Informação para o paciente é fundamental

Hoje é primordial que o paciente tenha conhecimento sobre esse tipo de tratamento para o câncer de reto, além de compreender sobre seus benefícios e riscos. Além disso, reforço que a decisão com relação à abordagem deverá ser tomada em conjunto, ou seja, entre o paciente e seu médico, por meio das melhores informações.

Para tanto, os pacientes não devem ter medo de perguntar sobre as modalidades no combate a tumores, especialmente aqueles que têm câncer de reto e podem ser beneficiar muito com o tratamento precoce.

Então, fique atento às informações e às recomendações médicas!

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