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O que tem dentro do cisto pilonidal e por que ele volta?

O cisto pilonidal, ou melhor, doença pilonidal ou doença do pelo, é decorrente da penetração e acúmulo de fios de cabelo embaixo da pele. Quando operamos um paciente acometido por esse problema, é isso que encontramos em seu interior.


Mas se o cabelo é do próprio paciente, por que há inflamação e às vezes até abscessos por causa deles?


Essa é uma excelente pergunta. Cada estrutura do nosso corpo tem sua localização adequada e, quando ela se posiciona em um local diferente, o organismo interpreta que aquele é um “corpo estranho”. Nesse momento, tem início uma reação que visa expulsar ou isolar, ou destruir aquela estrutura, algo que pode acontecer com ou sem processo inflamatório.


Quando o cisto pilonidal inflama

Às vezes, pode ocorrer a penetração de bactérias nesse ambiente, começando então uma infecção e a luta entre elas e as células de defesa. Esse processo gera formação de pus e culmina com um abscesso. Isso é bastante doloroso, e esse pus precisa ser evacuado, cirurgicamente ou espontaneamente.


Por que algumas pessoas com doença pilonidal não sentem nada? E, por outro lado, por que outras inflamam com frequência, e outras apresentam drenagem de um líquido, que suja a roupa íntima?

O cisto pilonidal ainda gera muitas perguntas
O cisto pilonidal ainda gera muitas perguntas

Como o cisto pilonidal inflama

Essa é uma característica interessante da doença pilonidal. Se o corpo consegue formar uma cápsula fibrosa em torno do pelo, o processo inflamatório não evolui e a pessoa pode ficar sem sentir nada.


Nos casos em que essa fibrose não acontece, ele inflama com frequência, levando a perda de qualidade de vida importante, até que haja comunicação com a pele, por meio da drenagem, e o sofrimento acaba. Essa drenagem pode ficar aberta, com saída de secreção clara, purulenta ou sanguinolenta, que suja a roupa, mas geralmente não dói.


Drenagem de pus ajuda a melhorar

Depois que há a drenagem do pus do cisto pilonidal, o processo pode melhorar. Isto é, uma parcela significativa das pessoas vai melhorar espontaneamente após a saída do pus acumulado. Porém, se a pessoa mantém algum grau de sofrimento, deve procurar avaliação de um especialista.


Quem não cicatriza, pode ter que operar para atingir o objetivo final que é a cura.


Não precisa haver cortes grandes

Hoje, o tratamento da doença pilonidal está cada vez mais avançado. Por isso, está cada vez mais em desuso o conceito de que a melhor alternativa era fazer um corte em cima do cisto, limpar a região e deixar tudo aberto.


Não falo apenas pela estética, mas também pelo retorno precoce do paciente às atividades da sua vida diária e sofrimento pós-operatório.


Formas de tratamento do cisto pilonidal

As principais ferramentas que temos, para sermos minimamente invasivos ao tratar este problema, são o LASER, o EPISIT e a cirurgia de Bascon. Já pudemos falar em nosso blog sobre eles em textos anteriores, não deixem de conferir conteúdos sobre cisto pilonidal aqui.


Por que o cisto pilonidal volta?

Seja após uma drenagem ou uma cirurgia, alguns pacientes vão ter novamente quadros inflamatórios na região – é a temida recorrência e listamos as principais causas abaixo:

  • Falha da depilação após a cirurgia (se os fios de cabelo caem na ferida operatória e se alojam no leito da ferida, a doença vai fatalmente voltar)

  • Falha da remoção de todos os pelos durante a cirurgia

  • Problemas de cicatrização do próprio paciente (problemas imunes, doenças associadas, desnutrição, cuidados locais e higiene deficiente)

  • Penetração de pelos de outros locais na região (outros fios de cabelo podem penetrar na ferida como os de origem no couro cabeludo, membros e pubianos)

Depilação é fundamental, de preferência definitiva

Já incluímos isso em outros textos, nada é mais importante na abordagem da doença pilonidal do que a remoção completa dos pelos na região sacrococcigea. As principais vantagens dessa prática são:

  • Aumenta a chance de o abscesso drenado cicatrizar completamente

  • Diminui a chance de novas inflamações

  • Melhora a chance de cicatrização completa no pós-operatório

  • Diminui a chance de recorrência a longo prazo

Pelos naquela região: NUNCA MAIS! Então, processos de depilação definitiva como o LASER ou a eletrólise têm melhor resultado.


Se a pessoa consegue terminar o processo depilatório antes da cirurgia, tanto melhor, mas nem sempre ela consegue esperar esse tempo.


Pessoal, fica a dica para quem acha que a cirurgia para doença pilonidal está relacionada a grandes incisões e ficar em casa de repouso por longos períodos. Vamos evoluir?


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