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Uso irregular de laxantes: “solução rápida” para pacientes, desafio para médicos

Evacuar devia ser um ato de prazer, mas nem todo mundo consegue experimentar isso, o que leva ao uso irregular de laxantes ou laxativos.


O reto devia ficar vazio na maior parte do tempo e receber o bolo fecal próximo ao momento de eliminação dos resíduos. Em pessoas constipadas ou com dificuldade de evacuação, a presença de fezes na região gera desconforto e um desejo de alívio imediato. Essa urgência acaba levando a medidas extremas e difíceis de resolver.


Laxativo irritativo – a faca de dois gumes

Todos os dias escutamos em nossa clínica: “somente o laxante ‘tal’ resolve o meu problema; tomo ele, e daí a algumas horas eu consigo evacuar”.


Bom, o resultado é rápido mesmo, mas… Há consequências!


O uso do laxativo faz com que ocorra uma limpeza do cólon e reto às custas de um esforço artificial. Só que, para o intestino encher novamente, demora mais de um dia. Ou seja, aquilo que parecia ser um alívio, volta como ansiedade de estar tudo preso lá dentro.


Nesse momento, qual é a solução mais fácil de se pensar? Uso de laxante novamente. E, então, vira um círculo vicioso:

  • Toma laxativo

  • Evacua demais

  • Acha que a constipação piorou

  • Toma mais laxativo

Uso irregular de laxante é difícil de resolver

Não é fácil resolver o caso de um paciente que faz uso irregular de laxantes. Estabelecer uma boa relação médico paciente é o primeiro passo. A pessoa tem que confiar que as mudanças devem ser graduais e soluções milagrosas raramente são o caso.


Geralmente, gosto de abordar três aspectos:

  • Funcionais

  • Comportamentais

  • Medicamentosos

Aspectos funcionais: alimentação

O primeiro ponto é com relação à alimentação, o que envolve:

  • Hidratação adequada e frequente

  • Consumo de fibras insolúveis e solúveis diariamente (em torno de 6 porções por dia – não adianta comer um caminhão de laranjas com bagaço)

Para saber como a dieta influencia no organismo, recomendo que clique aqui para ler um texto sobre o tema. Apesar de ser um conteúdo direcionado a pacientes com doenças inflamatórias intestinais, as dicas sobre fibras são para todos.


Além disso, vale a pena entender melhor sobre as consequências da constipação intestinal, então, clique aqui para saber mais sobre isso.


Aspectos comportamentais

Nesse ponto, detalho aquilo que você pode fazer no dia a dia para ajudar o seu intestino a funcionar.

  • Atividades físicas regulares (predominantemente, atividades aeróbicas de 3 a 4 vezes por semana – por pelo menos 30 minutos).

  • Dormir bem

  • Evitar longos períodos de jejum

A atividade física ajuda a fazer o intestino funcionar e, assim, evitar uso irregular de laxantes
A atividade física ajuda a fazer o intestino funcionar e, assim, evitar uso irregular de laxantes

Aspectos medicamentosos

Infelizmente, algumas pessoas têm que se valer de laxativos para melhorar os aspectos evacuatórios, e o uso consciente de laxativos não faz mal e não vicia, ao contrário do que muitos pensam.


O problema é qual medicação escolher. Normalmente, orientamos evitar os laxativos estimulantes (sene, bisacodyl, entre outros). Essas escolhas são as favoritas de muitos que acreditam que por promessas de que são “mais” naturais não fazem mal.


Melhor tipo de laxante

Normalmente, as melhores escolhas são os laxativos osmolares. O principal mecanismo de funcionamento deles é o uso de moléculas grandes, que não são absorvidas pelo organismo. Isso faz com que não sejam absorvidas pelo corpo e atraiam a água da própria alimentação para o bolo fecal.


Então, ao contrário do que muitos pensam, eles não fazem mal e ajudam a regularizar o hábito intestinal, dependendo da dose e da quantidade de água ingerida.

Os principais exemplos são:

  • PEG (polietilenoglicol)

  • Lactulose

  • Lactitol

A dose do laxante vai variar individualmente e deve ser acompanhada por um especialista.


Conclusão

O tratamento medicamentoso para quem faz uso de laxantes não será fácil no começo. Como esse tipo de laxativo não funciona rápido e a dose varia, até chegar ao bom controle, será preciso ter paciência e, às vezes, se valer de laxativos estimulantes para os momentos de desespero.


Mas se houver aderência do paciente e boa vontade, no final de menos de um mês o benefício final será alcançado e, na maioria das vezes, não haverá mais dificuldades.


Se você tem problemas para evacuar, pergunte ao seu médico sobre como tentar melhorar.

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