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Cirurgia endoscópica transanal: o que é e para que serve?

A cirurgia endoscópica transanal – conhecida como TEO, da sigla em inglês para “Transanal Endoscopic Operation” – é uma modalidade cirúrgica minimamente invasiva por via baixa (pelo ânus).


Apesar de pouco conhecida, essa abordagem não é exatamente nova, tendo sido introduzida nos anos 1980 por Gerhard Buess. Todavia, seu papel na coloproctologia ainda tem sido estudado e, neste post, vamos buscar descomplicar quais são as principais características dessa técnica.


O que é a cirurgia endoscópica transanal?

A cirurgia endoscópica transanal (TEO) é uma plataforma de cirurgia que permite que haja o tratamento de lesões retais por via anal.


Ela consiste em um tubo de aço (nos casos de materiais permanentes) ou de plástico (no equipamento descartável) que tem algumas pequenas entradas por onde serão passadas uma microcamera, pinças e instrumentos de corte e amaradura.


Como esse tubo permite uma vedação completa, quando colocado no ânus, é possível introduzir uma quantidade de gás carbônico, que distende o intestino, melhorando muito a visão das estruturas dentro do canal anal.


Cirurgia endoscópica transanal é uma evolução

A cirurgia endoscópica transanal representou uma evolução grande para as cirurgias de reto por via baixa, uma vez que antes obrigavam os cirurgiões a usar afastadores que podiam machucar o canal anal.


Além disso, os procedimentos não possibilitavam bom campo de visão e podiam até lesar os músculos responsáveis pela continência.


Na imagem abaixo, veja um pouco sobre a técnica.


Quais são as indicações da TEO?

As principais indicações que vão se beneficiar do uso do TEO são:

  • Pólipos retais benignos gigantes;

  • Tumores retais iniciais;

  • Tratamento combinado (via abdominal e retal) de tumores de reto.

Toda vez que uma lesão de reto não permite o acesso adequado por via endoscópica ou transanal convencional, a cirurgia endoscópica transanal pode ter um papel importante.


Isso pode ser principalmente no caso das lesões malignas precoce ou pré-malignas do reto, nesses casos, a cirurgia convencional por via anal se mostrou inferior com relação à completude da retirada, qualidade do espécime removido e taxa de recorrência local da doença.


Mas cuidado, a TEO não é para todos os casos…

Lesões muito altas (acima de 12 cm da margem do ânus) podem não permitir o acesso adequado pelo aparelho. E, quando há dúvidas sobre a profundidade de infiltração do câncer, seu uso pode não ser adequado para obter um tratamento adequado do ponto de vista oncológico.


Vantagens da cirurgia endoscópica transanal

As principais vantagens da cirurgia endoscópica transanal são:

  • Visão de alta resolução e com zoom;

  • Ergonomia excelente para o cirurgião, que pode operar com a visão em uma tela de laparoscopia;

  • A distensão do cólon com gás carbônico amplia o campo de visão;

  • Permite o uso de materiais delicados;

  • Permite acoplamento de plataformas robóticas.

Riscos da cirurgia endoscópica transanal

Os principais riscos da cirurgia endoscópica transanal são:

  • Quando mal indicado, pode permitir ressecções inadequadas de tumores;

  • Tem limites de altura alcançada pela rigidez do tubo e estruturas anatômicas anguladas (“curvas do intestino”);

  • Exige uma curva de aprendizado por parte do cirurgião;

  • Instrumental caro e pouco disponível.

Técnica deve ser executada por cirurgiões experientes

Acreditamos que a cirurgia endoscópica transanal (TEO) é um avanço nas cirurgias de via baixa, mas, como sempre, deve ser utilizada por profissionais treinados, em casos selecionados e em hospitais bem aparelhados.


Outro ponto fundamental é que, em hipótese alguma, o paciente poderá ficar sem acompanhamento. Além disso, a peça cirúrgica deve SEMPRE ser analisada cuidadosamente para definição do resultado cirúrgico e opções de tratamento e acompanhamento futuros.

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