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Dificuldade de evacuação: mudança de posição pode ajudar


Dificuldade de evacuação é um transtorno para muitas pessoas

A dificuldade de evacuação pode representar sofrimento e perda de qualidade de vida para muitos pacientes. A presença de doenças anais podem gerar dor e sangramento e, além disso, a evacuação incompleta, também chamada de evacuação obstruída, é uma queixa frequente e que representa um desafio para o médico.

A evacuação é composta por três componentes:

  • Contração espontânea do reto;

  • Retificação do ângulo entre o reto e o ânus (dada pelo relaxamento da musculatura pélvica e anal);

  • Aumento da pressão do abdome (esforço abdominal).

Muitos indivíduos apresentam dificuldade de coordenação dos movimentos de relaxamento e contração, o que torna complicada a expulsão do bolo fecal de maneira completa e, consequentemente, exige esforço exagerado.

Dessa forma, tudo isso gera o quadro de evacuação obstruída, sem que haja de fato um impedimento mecânico ao fluxo fecal, isto é, algo que impede a passagem das fezes.

Explicações para a dificuldade de evacuação

Para exemplificar, a constipação intestinal e defeitos anatômicos – como a retocele e o prolapso retal – são fatores que contribuem para a dificuldade na evacuação. Mas e a posição de evacuação? Será que isso também interfere no processo na hora de expulsar as fezes?

A resposta para esta pergunta é sim, de acordo com estudos publicados por Nakano e Sands, em 2015, e Modi e colaboradores, em 2019. Os pesquisadores estudaram a mudança da postura na hora de evacuar, tanto em pacientes com dificuldade de evacuação quanto em voluntários saudáveis, ou seja, que não tinham problemas para ir ao banheiro.

Posições para quem tem dificuldade de evacuação

Em seus estudos em 2015, Nakano e Sands selecionaram pacientes com a evacuação obstruída. Então, esses indivíduos foram estimulados a fazer o movimento evacuatório na posição que preferissem, depois, adotaram a posição do “pensador”, em alusão à posição da famosa escultura de Rodin, como mostrado abaixo.

"O Pensador" serve de inspiração de postura na hora de evacuar

Para fazer essa posição, é preciso dobrar as pernas e fazer uma curvatura da parte superior do corpo.

No estudo, o processo de tentativa de evacuação foi acompanhado por um exame radiológico, que permite verificar o esvaziamento do reto e o posicionamento do ânus e do reto durante o esforço – ou seja, a cinedefecografia.

Os estudiosos afirmam que nenhum paciente apresentava doenças anatômicas do assoalho retal associadas.

De acordo com os pesquisadores, o esvaziamento completo do reto foi mais frequentemente observado quando a posição do “pensador” era utilizada. Isso se dá pela modificação da angulação entre o reto e o canal anal.

As diferenças podem ser vistas na imagem abaixo.

Pessoas com dificuldades para evacuar podem tentar certas posições

Além disso, a posição pensante contribui para o aumento da pressão intrarretal e anal, o que facilita a expulsão do bolo fecal. Em outras palavras, os autores concluíram que a mudança de posição aparentemente favorece um movimento evacuatório mais eficiente.

Banquinho para quem tem dificuldade para evacuar

Seguindo a mesma linha desses autores, Modi e colaboradores publicaram um estudo que avaliava a utilização de um aparato para modificar a postura na hora do esvaziamento do reto.

Assim, foram acompanhados 52 participantes, ao longo de quatro semanas, sendo que, nas primeiras duas, cada pessoa não utilizou qualquer auxílio para alterar a posição. Já nas duas semanas seguintes, foi utilizado o chamado squatty potty©, banquinho que ajuda na posição no vaso sanitário.

Com o uso do apoio dos pés, os pesquisadores observaram movimentos mais rápidos, mais completos e menor dificuldade de evacuação. A figura anterior mostra também um exemplo do banquinho sendo usado na hora de evacuar.

Evacuação pode ser afetada por várias questões

Vários indivíduos apresentam dificuldades para evacuar que não estão relacionadas a doenças. Além disso, promover um posicionamento adequado durante a defecação nem sempre é uma opção para todos.

Vale lembrar que questões emocionais, consistência do bolo fecal, lubrificação, força muscular pélvica e abdominal, além da altura da pessoa, podem influenciar nesse processo de se aliviar no banheiro.

Considerando esses fatores, é importante tentar encontrar artifícios que possam auxiliar no esvaziamento do reto. Conforme os estudos acima, medidas simples como a mudança da posição ou utilização de um dispositivo de elevação dos membros inferiores podem ajudar muitos pacientes.

Problemas para evacuar devem ser relatados ao médico

De toda forma, é preciso lembrar que as medidas mencionadas nesse texto não são verdades absolutas, e a maioria das pessoas não precisa de qualquer auxílio na hora de evacuar.

Então, se a dificuldade de evacuação continuar ou surgirem outros sinais clínicos, um médico especialista, como um coloproctologista, deverá ser consultado.

Até a próxima!

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