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Tratamento de fístula perianal complexa: conheça a cirurgia transanal endoscópica

Quem acompanha nosso blog e conhece nosso trabalho sabe que somos especializados em fístulas perianais complexas e já pudemos abordar esse assunto aqui diversas vezes. No nosso dia a dia, é comum lidarmos com fístulas perianais em pacientes que já foram operados diversas e, com isso, casos pouco usuais acabam aparecendo em nossa clínica.


Portanto, hoje vamos falar sobre o tratamento de fístula perianal complexa usando cirurgia transanal endoscópica, que é uma opção em poucos casos.


Relembre o que são fístulas perianais complexas

Fístula é o nome utilizado para designar uma comunicação anômala entre duas superfícies epitelizadas em nosso corpo. No caso da região perianal, podemos considerar de maneira geral que as fístulas são canais que comunicam o reto ou canal anal até a pele, ou a vagina.


Em outras palavras, imaginem um pequeno canudo que sai de dentro do reto e vai até a pele da nádega.


Como a superfície interna do intestino está em contato com fezes e bactérias, o orifício interno fica contaminado e o processo inflamatório gera formação de pus que acaba por sair no orifício de fora. Sendo assim, as principais queixas do paciente são:


  • Irritação

  • Dor local

  • Saída de secreções na roupa íntima

Mas quando é o caso de fístula complexa?

Consideramos complexas as fístulas cujo trajeto apresenta-se com mais de uma saída, ou que acumulam pus em maior quantidade em seu interior, que envolvem a musculatura responsável por manter a continência das fezes, entre outros casos.


Conhecer a anatomia do corpo ajuda a compreender as fístulas
Conhecer a anatomia do corpo ajuda a compreender as fístulas

Como tratar as fístulas?

Existem alguns princípios básicos do tratamento das fístulas. De maneira geral, o que permite a cura da fístula é a cirurgia, mas devemos seguir regras muito importantes para que o êxito cirúrgico seja obtido sem que haja piora na qualidade de vida do paciente.


Portanto, a cirurgia deve: 


  1. Preservar a dinâmica evacuatória do paciente. O procedimento não ter risco aumentado de causar incontinência ou levar ao estreitamento do ânus.

  2. Melhorar a fístula existente, e não piorá-la.

  3. Ser reprodutível, ou seja, não adianta o procedimento dar super certo em um caso e não conseguir ser mais repetida.

Como se tratam de processos inflamatórios, o tratamento das fístulas não é matemático. Infelizmente, nem todos vão cicatrizar e, no caso dos tipos complexos, os melhores tratamentos não ultrapassam 80% de cicatrização – ou seja, de cada dez operados, dois não cicatrizaram e precisarão de novos procedimentos.


Abordagem transanal endoscópica para fístulas complexas

A abordagem transanal endoscópica (conhecida pela sigla em inglês TEO) é uma plataforma introduzida por via anal e que permite o acesso intrarretal por vídeo. Assim, conseguimos operar dentro do ânus sem cortes externos e com pinças minimamente invasivas de maneira delicada e sob visão.


No caso das fístulas, existem poucos estudos aplicando o TEO, não porque ele não tenha utilidade e, sim, por ser uma técnica cara, pouco acessível e com pouca disponibilidade na maioria dos hospitais.


Exemplo recente de cirurgia transanal endoscópica

Realmente, os casos em que a cirurgia transanal endoscópica é necessária são raros, mas ter essa ferramenta como opção completa o arsenal terapêutico do cirurgião especialista em fístulas.


Nesta semana, tivemos a chance de realizar um TEO para esse fim em um paciente que já havia sido operado três vezes com outras técnicas. A cirurgia foi bastante trabalhosa e demorada, mas a qualidade do tratamento interno foi excelente, pois foi possível enxergar dentro do reto de maneira que nenhum afastador permitiria.


Conclusão

Como mensagem final, é importante que o cirurgião que trabalha com fístulas complexas esteja familiarizado com todas as técnicas disponíveis, como a cirurgia transanal endoscópica, a fim de conseguir oferecer ao paciente, as melhores opções de tratamento.


Até semana que vem!

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