Tratamento a laser para fístula perianal consegue preservar o esfíncter
- drbrunoproctologista
- há 12 minutos
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A fístula perianal causa um grande impacto na qualidade de vida do paciente, como dor, secreção persistente, infecções recorrentes e medo de perda do controle das fezes.
Por isso, nos últimos anos, surgiram técnicas cirúrgicas que buscam tratar a fístula de forma eficaz, preservando o esfíncter anal e reduzindo o risco de incontinência fecal.
Entre essas opções modernas está o tratamento a laser de fístula perianal, conhecido como FiLaC® (Fistula Laser Closure).
Por que preservar o esfíncter é tão importante?
Como o esfíncter anal é o músculo responsável pela continência fecal, procedimentos que envolvem sua secção (corte), mesmo que parcial, podem levar a graus variados de incontinência. Isso afeta profundamente a vida social e emocional do paciente.
Por isso, técnicas chamadas de “poupadoras dos esfíncteres”, como o LIFT, o VAAFT, o retalho endoanal e o laser, que veremos a seguir, ganharam destaque na coloproctologia moderna.
Laser para fístula consegue preservar o esfíncter
O FiLaC® é uma técnica minimamente invasiva que utiliza uma fibra de laser com emissão radial, introduzida ao longo do trajeto da fístula. A energia do laser promove a destruição do epitélio interno da fístula e, ao mesmo tempo, provoca um estreitamento progressivo do trajeto. Isso favorece o fechamento do canal fistuloso.
Diferente das cirurgias tradicionais, o laser não corta o músculo do esfíncter anal e, assim, minimiza os riscos de incontinência fecal. Essa evolução na técnica cirúrgica levou a uma grande procura pelo FiLaC® para tratar fístula.
O que diz o estudo mais recente sobre o laser?
Um artigo publicado em 2025 realizou uma revisão sistemática com meta-análise em rede, incluindo 49 estudos e mais de 3.500 pacientes, comparando quatro técnicas que preservam o esfíncter:
LIFT
VAAFT
Laser (FiLaC®)
Retalho endoanal
No caso específico do laser, os dados mostraram que:
A taxa média de sucesso do FiLaC® foi de aproximadamente 60%, com grande variação entre os estudos.
O tempo médio de seguimento foi de cerca de 31 meses.
Nenhum estudo relatou piora da continência fecal após o tratamento com laser.
As complicações foram, em sua maioria, leves, como dor local, pequeno sangramento ou infecção da ferida operatória.
Esses achados reforçam que o laser é uma técnica segura do ponto de vista funcional, especialmente quando o principal objetivo é evitar incontinência anal.

O laser é melhor que outras técnicas para fístula?
Vamos com calma.
Apesar de o laser para fístula ser muito atrativo por preservar o esfíncter, o estudo mostra que essa técnica apresenta uma taxa de retorno de doença relativamente elevada. Entretanto, ela é uma operação mais rápida, mais simples e com baixa chance de complicações.
Ou seja, o FiLaC® não é uma solução universal, mas, sim, uma opção que deve ser cuidadosamente indicada.
Quando o laser para fístula é uma boa opção?
De acordo com os estudos analisados, o laser tende a ser mais utilizado em:
Fístulas transesfincterianas altas.
Pacientes com maior risco de incontinência.
Casos em que a preservação do esfíncter é prioridade absoluta.
Situações selecionadas, após avaliação detalhada da anatomia da fístula.
Pacientes que desejam operar com recuperação mais rápida.
O próprio artigo reforça que a seleção adequada do paciente é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento com laser.
Casos mais individualizados, como a Doença de Crohn
Além de considerar se os casos acima teriam indicação de laser para fístula, o estudo também avaliou casos de Doença de Crohn. Os pesquisadores constataram que esses pacientes apresentam taxas de falha mais elevadas, independentemente da técnica utilizada, incluindo o laser.
Isso reforça que o tratamento das fístulas nessa população é mais complexo e deve ser individualizado. Por isso, operar com um coloproctologista experiente é ainda mais essencial nesses casos.
Quais são as principais vantagens do laser?
Para resumir os achados sobre o uso de laser para fístula, entre os principais pontos positivos do FiLaC®, destacam-se:
Técnica minimamente invasiva.
Preservação completa do esfíncter anal.
Baixo risco de incontinência.
Recuperação geralmente rápida.
E quais são suas limitações?
Taxa de recidiva ainda significativa.
Resultados muito dependentes da anatomia da fístula.
Pode ser necessário mais de um procedimento.
Não substitui outras técnicas em todos os casos.
Laser para fístula é um exemplo dos avanços em coloproctologia
O tratamento a laser para fístula perianal representa um avanço importante na busca por procedimentos menos agressivos e com menor risco funcional. No entanto, os dados científicos mais recentes mostram que, embora seja uma técnica segura, seus resultados em termos de cura definitiva ainda variam bastante.
Por isso, o laser deve ser visto como uma ferramenta a mais dentro do arsenal terapêutico do coloproctologista, e não como a solução ideal para todos os pacientes.
A escolha do melhor tratamento deve sempre ser individualizada, baseada na anatomia da fístula, nas condições clínicas do paciente e na experiência do cirurgião.
Abraços e bom Carnaval, pessoal!








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