Tratamento de fístula anal a laser: A ciência explica os benefícios
- drbrunoproctologista
- 21 de jan.
- 3 min de leitura
A fístula anal é uma condição que impacta a qualidade de vida por apresentar os seguintes sintomas:
Secreção persistente
Inflamações recorrentes
Dificuldade no controle das fezes
O grande desafio do tratamento para fístula anal é conseguir curar a fístula sem causar lesão nos músculos do esfíncter, responsáveis pela continência anal.
Nos últimos anos, uma técnica chamada FiLaC (Fistula-tract Laser Closure) surgiu como alternativa moderna e minimamente invasiva, o que despertou a curiosidade dos pacientes. Quais os benefícios dessa técnica para tratar fístula?
Em 2025, um grupo internacional de especialistas publicou recomendações clínicas baseadas em revisão sistemática da literatura e consenso entre cirurgiões experientes. O objetivo foi padronizar e tornar o método de tratamento de fístula mais seguro e eficaz.
Como funciona o tratamento de fístula anal a laser
No FiLaC, uma fibra de laser é introduzida ao longo do trajeto da fístula. Essa fibra emite energia de forma circular (360°), destruindo, de forma controlada, o tecido interno da fístula. Isso faz com que o canal fistuloso colapse e se feche progressivamente, sem necessidade de cortes amplos e com mínima agressão ao esfíncter anal.
O laser recomendado pelos especialistas utiliza comprimento de onda de 1470 nm, que permite uma penetração superficial e mais precisa, reduzindo o risco de lesões profundas e preservando a função anal.
Indicações do tratamento de fístula anal a laser
De acordo com os especialistas, o FiLaC é especialmente indicado para:
Fístulas complexas, com risco de comprometimento da continência
Fístulas altas (transesfincterianas ou supraesfincterianas)
Pacientes com função esfincteriana já comprometida
Mulheres, em que a preservação do esfíncter é ainda mais crítica
Fístulas perianais associadas à Doença de Crohn (desde que controlada, sem inflamação intestinal ativa ou proctite)
Por outro lado, o tratamento a laser não é recomendado em situações de:
Infecção ativa
Presença de abscesso
Presença de inflamação intensa
Fístulas retovaginais
De toda forma, como tudo na medicina, toda abordagem precisa ser individualizada e conversada com seu médico.
Tratamento a laser é a primeira opção para fístulas anais?
O FiLaC pode, sim, ser considerado tratamento de primeira linha para fístulas complexas, já que apresenta taxas de cicatrização comparáveis às de outras técnicas preservadoras do esfíncter. Além disso, há menor risco de incontinência e menor dor pós-operatória.

Nas fístulas simples, a cirurgia tradicional (abertura da fístula) ainda apresenta taxas de cura mais altas. No entanto, em pacientes selecionados, o laser pode ser discutido como alternativa, especialmente quando há preocupação com a função anal.
Quais são os resultados esperados do tratamento a laser?
A literatura analisada no artigo mostra os seguintes resultados do tratamento a laser para fístula perianal:
65–70% de taxa média de cicatrização após um único procedimento
Possibilidade de repetir o laser em caso de falha inicial, aumentando a taxa de sucesso
Baixa taxa de complicações
Risco muito baixo de incontinência fecal
Dor pós-operatória geralmente leve
Mesmo nos casos em que a fístula não fecha completamente, muitos pacientes relatam redução significativa dos sintomas, como dor e secreção.
O que saber antes de optar pelo laser para fístula
O artigo internacional reforça que o sucesso do FiLaC depende de alguns cuidados fundamentais. São eles:
Avaliação médica adequada com:
Exame clínico
Exames de imagem (ressonância ou ultrassom endoanal)
Controle de infecção antes do procedimento:
Em alguns casos, uso prévio de sedenho (leia mais aqui)
Experiência do médico cirurgião quer irá realizar o laser
Acompanhamento clínico após o procedimento
Orientação médica adequada para alinhamento de expectativas
Laser para fístula é alternativa relevante
O tratamento de fístula anal a laser representa um avanço importante na coloproctologia moderna. Quando bem indicado, ele oferece uma abordagem segura, menos invasiva e focada na preservação da continência.
Mas fique atento! Hoje (2026), na literatura médica, não existe qualquer estratégia perfeita que obtenha 100% de cura em todos os pacientes. A fístula é uma doença inflamatória e de difícil tratamento e nada substitui a análise individual de cada paciente.
Para uma avaliação adequada, agende sua consulta.
Grande abraço!




