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Cirurgia de intestino: como acelerar a recuperação?

Em nossa sociedade, existe muito preconceito e desconhecimento sobre a recuperação de cirurgia de intestino e de reto. Pacientes acreditam que fazer jejum prolongado, adotar dietas a base de sopas, eliminar corrente de ar no quarto, não lavar a ferida operatória e fazer repouso absoluto ajudam na recuperação. Mas essas medidas estão erradas!


Estudos e conceitos sobre a recuperação acelerada da cirurgia intestinal ganharam mais força a partir dos anos 2000, devido à vasta disponibilidade de literatura sobre esse tema. Ou seja, isso tem facilitado a criação de protocolos que permitem organizar e sistematizar melhor as condutas médicas e, assim, obter melhores resultados.


Não há mais espaço para “achismo” quando o assunto é cirurgia de intestino e sua recuperação. Em um mundo em que novos conhecimentos são disseminados com grande velocidade, cabe aos pesquisadores e profissionais médicos filtrarem aquilo que tem embasamento e que trarão benefícios ao paciente, o principal objeto do cuidado.


Etapas da cirugia de intestino


O objetivo desse texto é abordar algumas informações importantes voltadas aos pacientes, de maneira a facilitar a compreensão do que é a tal recuperação acelerada. Claro, o assunto não irá terminar com esse conteúdo, isto é, devemos sempre continuar estudando.


Para tornar mais didática essa explicação, ao longo do artigo, vamos explicar de forma dividida, mais especificamente em três etapas: pré-operatória, transoperatória e pós-operatória. Vamos lá!


Pré-operatório da cirurgia de intestino


O período pré-operatório consiste nas medidas e orientações a serem fornecidas aos pacientes, antes da internação e do procedimento cirúrgico.


Nessa etapa, faz parte das boas práticas médicas que os pacientes sejam orientados sobre todo o processo ao qual serão submetidos antes da cirurgia. Isso facilita que o indivíduo colabore e aceite as condutas da equipe médica.


Em outras palavras, isso envolve explicações sobre início de dieta precoce, controle da dor pós-operatória, estímulo à movimentação precoce e cuidado da ferida, possibilitando uma maior aceitação quanto à alta precoce – antes do tempo esperado.


Detalhes da operação


Antes de operar, o paciente também deverá compreender se há a possibilidade de confecção de ostomia ou colostomia durante a cirurgia – abertura de órgão oco, como o próprio tubo digestivo, em que é feito um desvio no “trânsito”. E, assim, entender o que é isso e como serão os cuidados que ajudam a diminuir a chance de problemas no manejo.


De toda forma, é importante saber que uma ostomia atrasa a alta hospitalar, mas o treinamento com profissional especializado (estomaterapeuta) ajuda a lidar com esse artifício mais facilmente.


Nutrição e cuidado médico


Outro cuidado importante antes da cirurgia de intestino é com a nutrição. O jejum prolongado, por exemplo, aumenta a sensação de mal estar, resistência insulínica e náuseas. Por isso, é recomendado a ingestão de bebidas específicas ricas em carboidratos antes da operação.


IMPORTANTE! O tipo de bebida, a quantidade e o intervalo antes da cirurgia devem ser discutidos com o médico assistente e equipe anestesiológica.


Por fim, é muito importante haver uma padronização no atendimento realizado por todos da equipe. Isto é, todos os profissionais devem passar informações alinhadas para o paciente e considerarem também o controle de possíveis problemas de saúde não relacionados com o motivo da cirurgia (como diabetes, hipertensão, tabagismo).


Todo esse cuidado e orientação ajudam o paciente e a equipe, reduzindo risco de complicações.

Pessoas devem contar com as orientações médicas sobre cirurgia de intestino
É essencial contar com as orientações médicas sobre cirurgia de intestino

Transoperatório da cirurgia de intestino


Essa etapa engloba o conjunto de medidas adotadas pela equipe de cirurgia, enfermagem, hospital e o próprio paciente, de forma que as ações sejam tomadas de maneira coordenada e harmoniosa.


Orientações para paciente e equipes profissionais

Algumas das medidas a serem adotadas pelo paciente no período transoperatório da cirurgia de intestino incluem:

  • Cessação do tabagismo (isto é, parar de fumar antes da cirurgia, conforme a orientação do médico);

  • Banho com sabonete antisséptico antes da cirurgia.

Já as medidas a serem tomadas pela equipe cirúrgica são:

  • Preparo adequado do paciente e uso correto de antibióticos preventivos;

  • Troca de luvas e aventais quando indicado;

  • Uso adequado de oxigênio e cuidados na infusão de medicamentos e fluídos;

  • Manutenção adequada de temperatura e glicemia;

  • Cuidados com a ferida operatória;

  • Controle da dor.

Agora, a equipe de enfermagem deve tomar medidas como a redução da circulação de pessoas no ambiente cirúrgico.


Pós-operatório da cirurgia intestinal


O pós-operatório tem relação com as condutas associadas à recuperação depois do procedimento cirúrgico e tem grande valor na recuperação acelerada dos pacientes.


Talvez um dos principais fatores que ajudam a reduzir complicações respiratórias, tromboembólicas e de retorno das funções intestinais seja a mobilização precoce dos pacientes.


Ou seja, movimentações progressivas e controladas devem ser estimuladas desde o início dos cuidados no pós-operatórios, mesmo na unidade de terapia intensiva.


Dieta após a cirurgia de intestino


Engana-se quem imagina que é proibido se alimentar nessa fase. O início da dieta imediatamente após a cirurgia eletiva (não emergencial) também aumenta a recuperação do movimento intestinal e a tolerância aos alimentos.


Uma orientação interessante é que o uso de goma de mascar (chiclete), por dez minutos, de três a quatro vezes ao dia, pode ajudar a melhorar a peristalse (a contração de determinadas musculaturas).


Além do mais, é sempre importante evitar o excesso de infusão de líquidos por via venosa, bem como sondagens urinarias por tempo prolongado.


Orientações gerais para processo cirúrgico


Apesar de essas orientações terem sido simplificadas para ajudar na compreensão geral, muitas delas podem ser consideradas fáceis de implementar, concorda?


É sabido que os protocolos de recuperação acelerada esbarram em muitas crenças enraizadas no inconsciente da população e de muitos profissionais da área de saúde. Portanto, as mudanças devem ser lentas e amparadas para que possam ser mantidas e o benefício seja obtido em médio e longo prazo.


Ótima semana a todos!

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