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Cirurgia robótica de intestino: conheça os mitos e as verdades

Nos últimos anos, a medicina vem passando por uma onda que mudou o jeito de pensar em procedimentos cirúrgicos de intestino, entre outros. A cirurgia robótica se tornou realidade e, com ela, as pessoas começaram a imaginar, como seria daqui para frente.


Será que chegamos ao ponto em que os humanos não seriam mais necessários para tratar os pacientes?


Bom, esse momento ainda não chegou. Ainda que tenhamos visto avanços cada vez mais rápidos, cirurgias cada vez menos invasivas, a cirurgia robótica ainda não está próxima do automatismo imaginado, nem está ao alcance de todos.


Quando a cirurgia robótica começou?

Apesar de parecer que o robô em ambientes cirúrgicos é uma ideia nova, a técnica começou a ser idealizada há mais de 50 anos, e foi colocada em prática no final dos anos 1980 para auxiliar procedimentos ortopédicos.


Hoje, tudo evoluiu muito, e a cada ano vemos ser introduzidas novas tecnologias para melhorar o resultado das cirurgias e recuperação dos pacientes.


O importante é saber em que ponto estamos agora, no início do ano de 2023.


4 mitos sobre a cirurgia robótica

Para aprender mais sobre a cirurgia robótica de intestino (e também em outros casos), vamos desmistificar algumas ideias sobre ela.


1. O robô opera sozinho

Não! O que temos atualmente é uma plataforma robótica. Parece um carrinho controlável com quatro braços, que fica ao lado da maca do paciente.


O cirurgião conecta os braços robóticos a pinças, tesoura e câmera, que são posicionados cuidadosamente dentro do abdome do paciente por meio de pequenos portais.

Na cirurgia robótica de intestino, o robô não opera sozinho
Na cirurgia robótica de intestino, o robô não opera sozinho

Depois disso, o cirurgião vai para uma estação de trabalho que tem um visor em 3D e duas manoplas que permitem controlar os braços robóticos. Toda a cirurgia é conduzida pelo cirurgião do caso, o robô somente replica os movimentos.


2. Os resultados da cirurgia são melhores

Não é bem assim, tudo depende. A pessoa que for bem operada vai ter resultados melhores, e a cirurgia não depende apenas da plataforma.


Em outras palavras, para dar certo, tem que haver uma combinação de qualidades do médico, anestesia, materiais disponíveis e de fatores relacionados ao próprio paciente.


3. Se acabar a luz, o robô para e tudo dá errado

Não! O console robótico tem capacidade de se manter ativo por aproximadamente dez minutos, mesmo sem alimentação elétrica. Esse tempo é mais que suficiente para interromper o que se está fazendo, desligar o robô e converter a cirurgia para laparoscópica.


4. Cirurgia robótica é “capricho”

Esse é um ponto entre o mito e a verdade. Bom, a cirurgia robótica não é um “capricho”, mas é importante entender qual é a real necessidade de sua indicação.


Tem muita gente que acha que o que é novo é necessariamente melhor. Já me perguntaram se dá para operar hemorroida com cirurgia robótica, o que não tem nenhuma aplicação no momento.


Nem sempre a escolha da cirurgia robótica é vantajosa, então, cabe ao cirurgião orientar o paciente sobre a melhor opção para o caso.


3 verdades sobre a cirurgia robótica

Agora vamos entender o que é realidade quando se trata de cirurgia robótica.


1. É melhor para obesos, idosos e casos de endometriose

Nos casos de pacientes obesos, idosos e em pessoas com endometriose, a utilização da plataforma é vantajosa.


Estudos já observaram que essas populações obtiveram vantagem por serem operadas com auxílio do robô. Em geral, foi constatado:


  • Menos dor

  • Recuperação mais rápida

  • Menos dificuldade técnica do que em outras abordagens cirúrgicas

2. A cirurgia robótica é mais cara

Infelizmente, sim. Poucas operadoras de saúde incluem a cirurgia robótica em seu rol de procedimentos autorizados, fazendo com que o uso da tecnologia possa pesar no bolso. Esse custo varia de hospital para hospital e de cidade para cidade.


3. Há ganho de imagem, movimento e ergonomia

Com certeza, é verdade que o robô permite uma visão de altíssima qualidade da cavidade abdominal, em 3D, e com possibilidade de visualização das estruturas de maneira muito próxima com grande detalhamento.


Como a plataforma filtra os pequenos movimentos involuntários de qualquer ser humano, ela permite maior delicadeza, estabilidade de movimentos, pouco trauma aos tecidos.


Além disso, a posição do cirurgião é mais confortável nesse procedimento, o que diminui a fadiga e a necessidade de modificações frequentes da posição do paciente na maca.


Conclusão

A cirurgia robótica é uma realidade no tratamento das doenças intestinais, entre outras, mas ainda é um processo que não está ao alcance de todos. De toda forma, há excelentes indicações com benefícios para os pacientes e com bons resultados.


O melhor é que o avanço é contínuo e novas opções estão chegando ao mercado e devem baratear o custo, além de agregar melhorias na assistência.


É certo que novidades virão! Vamos trazendo novos temas aqui para avançarmos juntos!

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