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Diarreia aguda: Quando é hora de tomar antibióticos?

  • 25 de fev.
  • 3 min de leitura

Em certas épocas, como na volta das viagens, após festas e mudanças na alimentação, é muito comum observar um aumento dos casos de diarreia aguda. Ainda que a maioria dos casos se resolva sozinha, a grande dúvida dos pacientes – e até de alguns profissionais de saúde – é saber quando realmente precisamos usar antibióticos.


Para entender isso, vamos abordar os principais sintomas, causas e, sobretudo, como diferenciar a diarreia viral da bacteriana, identificando as situações em que o antibiótico pode ser indicado.


O que é diarreia aguda?

A diarreia aguda é caracterizada por:


  • Aumento do número de evacuações

  • Fezes amolecidas ou líquidas

  • Cólica abdominal

  • Náuseas e vômitos

  • Febre (em alguns casos)

  • Mal estar geral


Esse quadro costuma durar menos de 14 dias e, na maioria das vezes, trata-se de uma infecção intestinal transitória ou de intoxicação alimentar.


O maior risco da diarreia aguda é a desidratação, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças debilitantes.


Principais causas da diarreia aguda

A diarreia aguda infecciosa é causada principalmente por vírus, bactérias e parasitas. Alguns dos mais comuns estão listados a seguir.


Vírus

  • Rotavírus

  • Norovírus

  • Adenovírus entérico


Bactérias

  • Escherichia coli (enterotoxigênica, enteroinvasiva etc.)

  • Salmonella

  • Shigella

  • Campylobacter


Parasitas (menos comuns, principalmente em quadros agudos)

  • Giardia lamblia

  • Entamoeba histolytica (responsável pela amebíase)


Após períodos de viagem – como férias e Carnaval – aumentam especialmente os casos relacionados a:


  • Consumo de água ou gelo contaminados

  • Alimentos mal conservados

  • Comida de rua sem preparo adequado

  • Mudanças bruscas na dieta

  • Contato próximo com pessoas infectadas


Diarreia viral x bacteriana: como diferenciar?

Embora os quadros de diarreia viral e bacteriana tenham semelhanças, alguns sinais clínicos ajudam bastante a diferenciá-los e tratá-los adequadamente.


Características mais comuns da diarreia viral


  • Início súbito

  • Fezes aquosas, sem sangue

  • Vômitos proeminentes

  • Febre baixa ou ausente

  • Duração curta (3–5 dias)

  • Vários casos semelhantes na família ou viagem

  • Paciente mantém estado geral relativamente bom


A regra prática é: diarreia aquosa + vômitos + quadro leve = provavelmente vírus.


Características mais comuns da diarreia bacteriana

A diarreia bacteriana costuma ser menos comum, porém potencialmente mais grave. Alguns sinais de alerta incluem:


  • Presença de sangue ou muco nas fezes

  • Febre alta (> 38,5°C)

  • Dor abdominal mais intensa

  • Tenesmo (vontade de evacuar sem sair fezes)

  • Quadro mais prolongado

  • Piora do estado geral

  • Leucócitos ou lactoferrina fecal positivos (quando investigado)


A regra prática é: febre alta + sangue nas fezes + dor intensa + estado geral comprometido = provavelmente bactéria.


Quando fazer exames para investigar a diarreia?

Na maioria dos quadros leves, não é necessário realizar exames. Mas considere investigação quando houver:


  • Diarreia com sangue

  • Febre alta persistente

  • Paciente imunossuprimido

  • Diarreia prolongada (> 7 dias)

  • Suspeita de surtos alimentares

  • Viagem internacional recente

  • Desidratação importante


Quando usar antibióticos para tratar diarreia?

É importante ressaltar que a maioria das diarreias agudas NÃO precisa de antibiótico. O uso indiscriminado pode:


  • Prolongar o estado do quadro

  • Aumentar resistência bacteriana

  • Causar efeitos colaterais

  • Predispor a uma infecção pela bactéria Clostridium Difficile (consegue crescer, mesmo com o uso de antibiótico)


Quando o antibiótico pode ser usado para diarreia

De forma geral, quando houver forte suspeita ou confirmação de diarreia bacteriana invasiva, o antibiótico pode ser indicado nos seguintes casos:


  • Disenteria (sangue nas fezes diarreicas)

  • Febre alta associada

  • Quadro moderado a grave

  • Pacientes idosos frágeis

  • Imunossuprimidos (defesa imunológica comprometida)

  • Doença inflamatória intestinal (doença de Crohn e Retocolite ulcerativa) com suspeita infecciosa associada

  • Diarreia do viajante moderada a grave

  • Confirmação laboratorial de patógeno sensível


Em casos específicos (como Shigella, cólera, febre tifoide), o antibiótico é claramente recomendado.


Diarreia causada por vírus não se trata com antibiótico!

Já em casos de diarreia viral, não faz sentido tratar com antibiótico. Portanto, evite esse medicamento e siga outras medidas, como:


  • Hidratação (soro, água, água de coco, soluções eletrolíticas)

  • Alimentação leve (conforme tolerado, mas sem jejum prolongado)

  • Medicações indicadas (contra vômitos, cólicas)

Manter a hidratação é fundamental em casos de diarreia aguda
Manter a hidratação é fundamental em casos de diarreia aguda

Muito cuidado com os antidiarreicos, pois devem ser usados apenas sob indicação médica. Alguns medicamentos para cessar a diarreia podem fazer mal e piorar o quadro.


Antibiótico é exceção, não regra

O ponto-chave é lembrar que, em casos de diarreia aguda, o antibiótico deve ser indicado apenas quando houver sinais de infecção bacteriana invasiva ou em pacientes de maior risco.


Na dúvida, a avaliação médica individualizada é sempre o caminho mais seguro.

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