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Dor pélvica na mulher: quais são as causas mais comuns?

29 de jul.
6 min de leitura

A dor pélvica na mulher, também chamada de dor no baixo ventre, é um tema muito recorrente no consultório do coloproctologista. Quando eu me tornei membro de uma equipe multidisciplinar, com foco na saúde da mulher, percebi que a dor pélvica era um dos sintomas mais comuns e mais debilitantes nas nossas pacientes.


Tanto isso é verdade que, algumas vezes, precisamos de profissionais da área de ginecologia, coloproctologia, urologia, radiologia, medicina da dor e até ortopedia para tentar chegar a um diagnóstico.

Muitas mulheres nos perguntam, porque é tão difícil descobrir a causa da dor pélvica?


Entenda a dor pélvica na mulher

A região pélvica tem uma anatomia extremamente complexa, com estruturas de todos os sistemas do nosso organismo:


  • Reprodutor

  • Digestivo

  • Nervoso

  • Excretor (urinário)

  • Circulatório


Além de tudo isso, na mulher, a influência dos ciclos menstruais é muito importante na determinação da sensibilidade da região.


E, ainda, aspectos sócio-ambientais também importam, pois posições viciosas, esforços repetitivos, hábitos de vida e até a situação ambiental e do humor da paciente podem gerar dor.

Em outras palavras, são centenas de causas para a dor pélvica e vamos listar algumas das mais frequentes e importantes.


Dor pélvica e cólica na mulher não são a mesma coisa

É muito comum confundir os dois termos, mas eles não são sinônimos. A cólica menstrual (dismenorreia) é a dor pélvica ligada especificamente ao ciclo menstrual, provocada pela contração do útero durante a menstruação.


Já a dor pélvica é um termo mais amplo, que pode ou não estar relacionada à menstruação, e inclui as causas ginecológicas, digestivas, urinárias e musculoesqueléticas que vamos detalhar a seguir.


Isso importa na prática: quando a cólica menstrual foge do padrão habitual — fica muito mais intensa, passa a durar mais dias ou não melhora com analgésicos comuns — pode ser sinal de uma causa subjacente que precisa de investigação, e não apenas de uma cólica menstrual fora do habitual.


A dor pélvica crônica, inclusive, é mais prevalente do que se imagina: estima-se que afete 3,8% das mulheres entre 15 e 73 anos — uma taxa maior que a de enxaqueca, asma e dor nas costas — e cerca de 60% das mulheres com o quadro nunca chegam a receber um diagnóstico específico.


Dor pélvica aguda x dor pélvica crônica: qual a diferença

Para facilitar o entendimento é preciso separar as causas da dor pélvica na mulher em agudas – em que a dor tem início mais abrupto e bem definido e seu curso mais curto – e crônicas – geralmente de aparecimento mais gradual e duradouro.


É significativo lembrar que, mesmo as dores crônicas, apesar de terem seu início mais insidioso, um dia elas têm que começar, isto é, um dia ela foi aguda. Outro ponto é que essa classificação das dores não tem a ver com sua intensidade, podendo ambas serem muito debilitantes.


De forma objetiva, a dor pélvica costuma ser classificada como crônica quando persiste por mais de seis meses.


Dor pélvica aguda na mulher: causas que são urgência médica

Os principais representantes dessa lista são considerados urgências médicas e demandam uma avaliação em pronto atendimento. Por isso, serão destacadas.


Apendicite aguda — URGÊNCIA

Essa dor pélvica consiste na inflamação do apêndice cecal, órgão que fica localizado na parte inicial do intestino grosso.


Ele tem a forma de pequeno tubo em fundo cego, conectado ao cólon direito. Sua posição pode variar muito e com frequência pode ficar próximo à pelve e manifestar dor principalmente baixa e do lado direito em pessoas jovens.


Diverticulite aguda — URGÊNCIA

Nesse outro processo inflamatório do intestino grosso, vale lembrar que os divertículos são pequenas saculações que se apresentam com mais frequência do lado esquerdo e causam dor importante, com sinais inflamatórios intra-abdominais.


São mais comuns em pessoas de idade superior a 50 anos e costumam estar associados à alteração do hábito do intestino.


Infecção urinária — URGÊNCIA

É uma infecção do trato urinário que se inicia geralmente na bexiga e pode subir até os rins. Os principais sintomas são dor pélvica mais central, vontade de urinar toda hora em pequenas quantidades e, ocasionalmente, dor lombar e febre.


Cólicas menstruais

As cólicas menstruais talvez sejam a causa mais comum de dor pélvica aguda na mulher. São recorrentes, associadas ao ciclo menstrual, costumam ter intensidade de moderada a intensa e controladas com uso de analgésicos. Em caso de intensidade insuportável, um pronto atendimento deve ser procurado.


Ovulação

Quando uma pessoa ovula, a liberação do oócito (popularmente conhecido como óvulo) pode gerar queda de líquidos e sangue na cavidade peritoneal, o que pode gerar dor. Normalmente, as ovulações acontecem de um lado ou outro da pelve, são de intensidade leve e têm relação com a metade do ciclo menstrual.


Se suas características se diferenciam muito do usual, um médico deve ser consultado.


Infecções sexualmente transmissíveis (IST) — URGÊNCIA

Como em posts anteriores aqui no blog, detalhamos em profundidade as IST mais comuns. Em sua maioria, elas podem gerar dor pélvica e até sua evolução mais temida, a doença inflamatória pélvica.


Nessa evolução, a infecção toma direção ascendente no útero e que cursa com febre, dor e secreção vaginal, com coloração turva e odor fétido.


Gravidez ectópica — URGÊNCIA

A gravidez ectópica ocorre quando se dá em um local fora da cavidade do útero. O local mais comum é nas trompas e, além da dor, pode evoluir com hemorragias, que levam a mulher ao risco de morte.


A gravidez ectópica pode ser uma causa de dor pélvica na mulher
A gravidez ectópica pode ser uma causa de dor pélvica na mulher

A maioria dos casos consegue ser diagnosticada antes que a trompa se rompa, mas, em todas as mulheres em idade fértil, deve haver a pesquisa da possibilidade de gravidez. A dor inicial é localizada na pelve, mas se o sangramento acontece e persiste, ela se torna generalizada e sinais de anemia aguda começam a aparecer.


Cálculos urinários — URGÊNCIA

Os cálculos que se formam nos rins e migram pelo trato urinário são considerados urgência pela intensidade da dor, que é incapacitante, e pelo risco de obstruir os canais em que a urina passa. Com o tempo, pode aumentar a chance de causar infecções e perda da função do rim.


As dores podem acontecer na pelve, são de um lado só e irradiam para a região lombar.


Dor pélvica crônica na mulher: principais causas

Agora vamos mencionar alguns possíveis casos de dor pélvica crônica na mulher.


Endometriose

Como vimos nos posts anteriores específicos sobre a endometriose, o desenvolvimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina pode causar dores de difícil tratamento, sendo muito debilitantes e determinam perda significativa da qualidade de vida.


Para ajudar no diagnóstico da endometriose pélvica, o médico deverá considerar as queixas das mulheres com dor pélvica de caráter recorrente, geralmente relacionada ao ciclo menstrual e infertilidade e que pode piorar durante a relação sexual.


Aderências pélvicas

As aderências podem estar relacionadas a:

  • Cirurgias anteriores

  • Inflamações

  • Infecções

  • Endometriose


Elas determinam a subversão da posição usual dos órgãos na cavidade abdominal. Isso faz com que a movimentação natural das estruturas seja prejudicada, o que gera movimentos em bloco e trações que não deveriam acontecer. E, assim, dão início a quadros de dor.


Cistos ovarianos

Os cistos são coleções líquidas, bem delimitadas, com tamanho variado e que podem ser benignos, pré-malignos e malignos. Tem as causas mais variadas e, quanto mais cresce, maior a chance de torcerem ou se romperem, causando dor por irritação da cavidade peritoneal e falta de oxigenação do ovário.


Síndrome do intestino irritável (SII)

Dor pélvica, com características de cólicas intestinais, que pioram ou melhoram com a evacuação e geralmente acompanham o paciente por muitos anos até ser finalmente diagnosticada.


Casos de Síndrome do intestino irritável possuem critérios clínicos de diagnóstico e a maioria das pacientes observa que a dor tem a ver com:


  • Estado emocional

  • Dieta

  • Ciclo menstrual

  • Ambiente


Por que a avaliação multidisciplinar é tão importante

Diretrizes internacionais mais recentes reforçam justamente o ponto com que abrimos este artigo: a dor pélvica crônica na mulher costuma exigir uma abordagem interdisciplinar. A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a European Association of Urology (EAU, 2025), a Journal of Obstetrics and Gynecology Canada (JOGC, 2024), a International Pelvic Pain Society (IPPS) e a International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO, 2025) confirmam essa necessidade e reforçam a inclusão da fisioterapia pélvica como parte do tratamento da dor pélvica crônica em mulheres.


Quando procurar um médico

Ufa, muita coisa não é?

Por isso, em caso de dor pélvica na mulher, que persiste, limita a vida, é muito importante procurar um especialista para chegar a um diagnóstico e, então, tratamento.

Até semana que vem.


Dr. Bruno Werneck

CRM-MG 36.980 

Coloproctologista RQE 16.841

Cirurgião Geral RQE 22.235


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