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Microplásticos causam câncer de intestino?

  • há 15 horas
  • 4 min de leitura

Nos últimos anos, um novo “vilão invisível” começou a ganhar destaque na medicina e na ciência: os microplásticos. Presentes na água, nos alimentos e até no ar, essas partículas minúsculas estão praticamente em todos os lugares – inclusive no nosso organismo.


Mas será que os microplásticos causam câncer de intestino? Será que eles podem estar relacionados ao desenvolvimento do câncer colorretal? A ciência está tentando responder a essas perguntas, mas os dados mais recentes indicam sinais de alerta importantes.


O que são microplásticos?

Os microplásticos são partículas de plástico extremamente pequenas, geralmente com menos de 5 milímetros. Já os nanoplásticos são ainda menores, invisíveis a olho nu.


Eles surgem principalmente da degradação de plásticos maiores — como garrafas, embalagens e tecidos sintéticos — e acabam contaminando o meio ambiente de forma persistente.


Hoje sabemos que a exposição humana é constante. Estima-se que uma pessoa possa ingerir ou inalar dezenas de milhares de partículas de microplásticos por ano.


Como os microplásticos entram no nosso corpo?

A principal porta de entrada é o trato gastrointestinal. Os microplásticos estão presentes em:


  • Água potável (especialmente engarrafada)

  • Sal de cozinha

  • Frutos do mar

  • Alimentos processados


Ao serem ingeridos, esses fragmentos passam pelo intestino e, dependendo do tamanho, podem interagir diretamente com a mucosa intestinal — e até atravessar barreiras biológicas.


Mas os microplásticos causam câncer de intestino?

Ainda não podemos afirmar que haja uma relação direta e definitiva entre microplásticos e humanos. No entanto, há um conjunto crescente de evidências que sugere que os microplásticos podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de intestino por diferentes mecanismos.


Além disso, estudos já mostraram maior concentração dessas partículas em tecidos tumorais do cólon quando comparados a tecidos normais.


Outro ponto importante: o aumento recente dos casos de câncer colorretal em pessoas jovens (antes dos 50 anos) pode estar relacionado a fatores ambientais — e os microplásticos surgem como possível candidato.


Se microplásticos causam câncer de intestino, como seria isso?

Os estudos apontam vários caminhos possíveis pelos quais os microplásticos podem influenciar o desenvolvimento do câncer colorretal.


1. Inflamação crônica do intestino

Os microplásticos são reconhecidos pelo organismo como corpos estranhos. Isso pode desencadear uma resposta inflamatória persistente.


A inflamação crônica é um dos principais fatores envolvidos na carcinogênese intestinal, favorecendo:


  • Proliferação celular exagerada

  • Inibição da morte celular programada (mecanismo pelo qual o organismo renova suas células defeituosas ou “velhas”)

  • Estímulo à formação de vasos sanguíneos aberrantes


2. Estresse oxidativo e dano ao DNA

As partículas de microplásticos podem induzir a produção de radicais livres, levando ao chamado estresse oxidativo. O resultado disso inclui:


  • Mutações no DNA

  • Deformidades na cadeia do DNA

  • Instabilidade genética


Esses são passos fundamentais na transformação de células normais em células cancerígenas.


3. Alteração da microbiota intestinal

Os microplásticos também parecem interferir no equilíbrio da flora intestinal. Essa disbiose pode:


  • Favorecer bactérias pró-inflamatórias

  • Aumentar a produção de toxinas

  • Alterar o metabolismo intestinal

Alimentos que favorecem a microbiota intestinal
Alimentos que favorecem a microbiota intestinal

Sabemos hoje que a microbiota desempenha um papel central no desenvolvimento do câncer colorretal.


4. Dano à barreira intestinal

O intestino possui uma camada de proteção (muco e junções celulares) que impede o contato direto de toxinas com as células. Os microplásticos podem:


  • Reduzir a espessura do muco

  • Alterar proteínas de junção celular causando aumento da permeabilidade intestinal


Isso facilita a penetração de substâncias potencialmente carcinogênicas.


5. Efeito “Cavalo de Troia”

Talvez um dos mecanismos mais preocupantes seja o fato dis microplásticos funcionarem como “transportadores” de substâncias tóxicas, como:


  • Metais pesados

  • Poluentes orgânicos

  • Bisfenol A (BPA)


Eles também podem carregar bactérias potencialmente cancerígenas até a mucosa intestinal.


E o câncer de intestino em pessoas jovens?

Um dos pontos mais intrigantes da literatura recente é o aumento do câncer colorretal em indivíduos com menos de 50 anos.


Esse fenômeno parece estar relacionado a fatores ambientais e comportamentais, já que mudanças genéticas populacionais não explicam a rapidez desse crescimento. Os microplásticos entram nessa discussão porque:


  • Sua exposição aumentou drasticamente nas últimas décadas

  • O contato começa desde a infância

  • Eles interagem diretamente com a mucosa intestinal


Ainda não há prova definitiva, mas a hipótese é biologicamente plausível.


Relação entre microplásticos e câncer colorretal

Apesar de todos esses achados sobre microplásticos e câncer colorretal, é importante deixar claro:


  • Ainda faltam estudos em humanos de longo prazo

  • A maioria dos dados vem de modelos experimentais

  • Não sabemos qual nível de exposição é realmente perigoso


Ou seja, estamos diante de uma possível associação, ainda em investigação.


O que fazer para reduzir a exposição aos microplásticos?

Mesmo sem respostas definitivas, algumas medidas podem reduzir a exposição aos microplásticos:


  • Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos

  • Reduzir consumo de água em garrafas plásticas

  • Priorizar alimentos frescos

  • Diminuir consumo de ultraprocessados


Pessoal, sabemos que ter uma vida isenta de plástico é praticamente impossível e os microplásticos representam uma nova fronteira na medicina ambiental. Embora ainda não possamos afirmar que eles causam câncer colorretal, os mecanismos identificados são consistentes com processos já conhecidos da carcinogênese intestinal.


Diante disso, a mensagem mais importante é de atenção, não de alarme.


E, enquanto a ciência avança, uma coisa permanece clara: a melhor estratégia contra o câncer colorretal ainda é a prevenção. Isso se faz com hábitos saudáveis e a realização de exames como a colonoscopia, no momento adequado.

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