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Cirurgia pouco invasiva: como tirar parte do intestino sem abrir a barriga?

Vocês que acompanham o blog já sabem que falo sobre cirurgia minimamente ou pouco invasiva. Realmente, o foco de toda minha carreira médica foi sempre tentar realizar os procedimentos mais adequados e com o menor sofrimento possível, tanto com relação à recuperação, quanto com a estética.


Hoje, com a facilidade de acesso à informação, cada vez mais pacientes chegam com uma dúvida que, até alguns anos atrás, era incomum: “por onde sairá a peça cirúrgica”?


Caso você ainda não tenha conhecimento do termo, “peça”, nesse caso, seria o segmento do intestino a ser removido.


Pois bem, realmente a era dos “grandes cirurgiões, grandes incisões” acabou, mas se faz presente o desafio de remover parte do intestino de dentro da cavidade abdominal.


Cirurgia pouco ou minimamente invasiva

O conceito de cirurgia minimamente invasiva é uma abordagem que visa diminuir a agressão ao organismo e possibilitar a recuperação precoce. Para ilustrar, quando falamos de cirurgia do cólon, os principais exemplos são: cirurgia laparoscópica (videocirurgia) ou robótica.


Ambas são realizadas a partir de pequenos furos na parede abdominal, em que são passadas pinças que permitem o acesso dentro da cavidade. Assim, o cirurgião consegue realizar o procedimento proposto sem efetivamente colocar a mão dentro do abdome.


Cirurgia pouco invasiva de intestino

Detalhando um pouco mais, o intestino grosso é um órgão que praticamente emoldura nosso abdome e frequentemente as peças cirúrgicas são grandes, podendo ter mais de cinquenta centímetros.

A cirurgia pouco invasiva pode ser uma alternativa à cirurgia convencional
A cirurgia pouco invasiva pode ser uma alternativa à cirurgia convencional

Mas com o advento da cirurgia minimamente invasiva foi possível trazer benefícios como menos dor, retorno precoce das funções do organismo, além de alta mais rápida. Bem, para entender melhor como isso é possível, vamos tentar mostrar os artifícios mais comuns para atingirmos os maiores benefícios para nossos pacientes.


Entenda variáveis importantes

Vale reforçar dois pontos:

  • Objetivo da cirurgia

O objetivo final a ser alcançado é a resolução do problema do paciente, com o menor sofrimento possível, menor sequela funcional e estética. Então, não se deve posicionar a cirurgia minimamente invasiva – seja ela por via abdominal (robótica ou laparoscópica), transanal (TEO, Vaaft, laser) – como uma obrigação. Em outras palavras, se a abordagem convencional for a melhor, ela deve ser escolhida.

  • Busca pelo melhor resultado

Se um caso for iniciado por uma via e terminar com conversão, isto não quer dizer que algo de errado aconteceu, cabe ao cirurgião fazer escolhas para que o melhor resultado seja possível.


Opções para cirurgia minimamente invasiva

Voltando à pergunta inicial do texto, como é possível remover uma peça cirúrgica grande sem cortar muito a barriga da pessoa? Isto é, como é possível fazer uma cirurgia minimamente invasiva no intestino?


Via transanal

Nos casos em que a peça (segmento do intestino) não for enorme, principalmente nos casos de doenças no reto, é possível que possamos passar uma pinça pelo ânus e puxamos o intestino através do canal anal antes que o cólon seja emendado.


A via transanal é muito comum nos casos de doenças benignas como endometriose, diverticulites e prolapso retal.


Via transvaginal

Quando a vagina é aberta para algum tipo de tratamento como a remoção de focos de endometriose, a peça de intestino pode ser retirada por dentro da vagina. Apesar de soar estranho, é uma via segura e que permite que não sejam necessários outros cortes na barriga.


A via transvaginal é mais utilizada em tratamento de doenças ginecológicas como endometriose, mas também em casos como tumores de intestino e doença diverticular.


Via abdominal

Quando pensamos em remover um segmento intestinal, a maioria das pessoas costuma achar que o corte no abdome tem que ser do tamanho da parte a ser removida. Mas o intestino é maleável e podemos acondicioná-lo em bolsas especiais para conseguirmos realizar pequenas incisões ou ampliar os portais para extrair a peça.


A via abdominal é a mais utilizada e se presta a qualquer caso, desde doenças benignas até o câncer.


Conclusão

Seja optando por uma cirurgia minimamente invasiva ou não, o importante é que o cirurgião leve em conta o resultado estético, assim como o desejo do paciente. E, assim, ambos devem debater as opções para que o tratamento seja o melhor possível.


Até semana que vem!

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