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Pacientes com doenças inflamatórias intestinais podem se vacinar contra a Covid?

Hoje, 19 de maio, é comemorado o Dia Internacional de Conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Nos últimos dois anos, vimos o cenário dessas doenças se misturar com a pandemia do coronavírus, e a vida desses pacientes se encheu de dúvida e apreensão. Um desses questionamentos é se pessoas com DII podem tomar vacina contra a Covid.


Antes de responder a essa pergunta, vamos resgatar um pouco o que já falamos sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, de forma a contextualizar melhor o tema com o momento atual que estamos vivendo.


Principais Doenças Inflamatórias Intestinais

Como já mencionamos em outros posts, as duas principais formas de manifestações das DII são a Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa Idiopática (RCUI).


No caso da Covid, por se tratar de uma doença nova, pouco se sabia sobre a interação da infecção pelo SARS-CoV-2 e a condição clínica dos pacientes, bem como as medicações que usavam – principalmente sabendo que a maioria delas gera imunossupressão.


Mas a boa notícia é que, aparentemente, a evolução das pessoas com DII não parecia ser mais grave do que a da população geral, o que trouxe maior tranquilidade na manutenção do tratamento e controle.


O que muda com a vacina contra a Covid?

E, então, com a chegada da vacina, mais dúvidas surgiram.

  • Será que os pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais deveriam tomá-la?

  • Pacientes com DII deveriam ser priorizados?

  • A resposta imunológica deles é igual a de um paciente que não possui a doença ou imunossupressão?

Para buscar esclarecer essas dúvidas, resolvemos escrever esse texto e tentar ajudar a entender parte desse processo, juntos. Devemos ressaltar que, por se tratar de um cenário extremamente fluido, tanto do ponto de vista da infecção, da vacina e das leis aplicadas a ela, todas as informações aqui escritas são fruto de pesquisa no momento atual e podem mudar em um futuro próximo.


Pessoas com DII devem ter prioridade de vacinação?

Com o início da vacinação dos grupos de pacientes com comorbidades, a primeira pergunta que mais temos visto no nosso dia a dia é se quem tem DII teria prioridade na vacinação.


Não há resposta definitiva para essa questão, pois cada município tem autonomia para definir a população alvo, de acordo com a realidade local, o número de vacinas disponíveis e a quantidade de indivíduos em cada grupo.


Por exemplo, a Prefeitura de Belo Horizonte, em Minas Gerais, cadastrou as pessoas com comorbidades, com idade entre 18 e 59 anos, sendo que na lista de doenças aceitas estão a Doença de Cronh ou em uso de imunossupressores.

Pacientes com doenças inflamatórias intestinais podem se vacinar, mas é preciso conversar com o médico
Pacientes com doenças inflamatórias intestinais podem se vacinar, mas é preciso conversar com o médico

Nessa última categoria, os pacientes com Retocolite Ulcerativa que não apresentam imunossupressão pela doença podem se vacinar, desde que façam uso de corticoide em altas doses ou imunossupressores como a Azatioprina, 6-mercaptopurina e os biológicos.


O que é importante orientar é que o médico assistente não tem o poder de fazer com que o indivíduo seja vacinado, mesmo naquelas cidades em que essas indicações são seguidas. É necessário fazer um relatório verdadeiro e deixar com que o comitê vacinal local defina a indicação ou não.


É seguro tomar a vacina sendo que estou imunossuprimido?

Com base no conhecimento atual e no fato de que as vacinas disponíveis até o momento, em nosso país, não contêm vírus vivo com capacidade replicativa, o risco com seu uso em quem tem o diagnóstico de Doenças Inflamatórias Intestinais é muito baixo.


Outro fator importante é que os estudos realizados para avaliação da segurança das vacinas não demonstraram maior chance de complicações em pessoas com menor defesa orgânica. O uso de vacinas como prevenção nesse tipo de paciente é corriqueiro, então, considerando que o risco da doença é muito maior, até o momento, o recomendado é se vacinar.


Mas a vacina funciona em quem é imunossuprimido?

Essa é uma ótima pergunta! E, como a ideia de uma vacina é estimular o sistema imune a produzir resposta do organismo, é de se esperar que quem tem um organismo com imunidade deficiente terá menor resposta.


Por outro lado, não se sabe se isso ocorrerá com relação à vacina contra a Covid. Porém, extrapolando os resultados de vacinas contra outras doenças – como pneumococo e gripe –, a resposta costuma ser adequada ou pouco reduzida.


Taxa de proteção da vacina contra a Covid

Outro ponto interessante é que, aparentemente, a taxa de proteção de uma vacina contra a Covid parece ser maior do que a da gripe em pessoas imunocompetentes. Ou seja, é de se esperar que também seja assim com indivíduos com imunidade comprometida.


Em outras palavras, se é rotina vacinarmos pessoas imundosuprimidas contra a gripe, é lógico acreditarmos em bons resultados contra o SARS-CoV-2.


Sendo assim, é recomendado que pessoas com Doenças Inflamatórias Intestinais sejam vacinadas contra a Covid.


Mantenha o tratamento das doenças intestinais

Não se esqueça de que o tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais não deve ser suspenso em caso de vacinação. Nesse caso, apenas evite tomar as medicações injetáveis no mesmo dia, para que reações vacinais não se confundam com efeitos adversos da medicação.


Como estamos vivenciando um problema grave no mundo, sempre que possível, se mantenha informado pelos meios de comunicação. Não acredite em informações que não podem ser confirmadas e sempre procure um médico especialista! O profissional que acompanha você poderá ajudar a conseguir as melhores informações disponíveis.


Acredite na ciência! É a maior chance que temos de vencer contra todos os problemas.

Feliz dia 19 de maio - IBDDay, ou Dia internacional de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais!

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