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Síndrome Fúngica: conheça esse problema gastrointestinal

A Síndrome Fúngica é um tema que tem se tornado comum na prática clínica do coloproctologista, mas ainda é desconhecida pela maioria das pessoas. Ela é representada pelo crescimento desordenado de fungos no intestino delgado e está associada a sintomas gastrointestinais importantes.


O acometimento de fungos no trato gastrointestinal, principalmente representado pela cândida, já é bem descrito na literatura médica em pacientes imunocomprometidos, como:

  • Pessoas com síndrome de imunodeficiência adquirida (portadores do HIV);

  • Pacientes com câncer;

  • Usuários de corticoides por períodos prolongados;

  • Usuários de antibióticos por longos períodos.

Todavia, tem sido observado de maneira cada vez mais frequente que pacientes considerados imunocompetentes estão apresentando supercrescimento fúngico em seu trato gastrointestinal.


Estudos recentes observaram a presença da Síndrome Fúngica em até 26% dos casos investigados com sintomas persistentes como inchaço, eructações (arrotos), indigestão, náusea, diarreia e flatulência.


Características da Síndrome Fúngica

Normalmente, o principal fungo isolado são espécies de cândida, fungo conhecido por se proliferar em ambientes em que há desequilíbrio no microbioma intestinal e queda de imunidade.


A maioria das pessoas as conhecem pelas infecções oportunistas comuns na região vaginal, esofágica e ungueal.


Sintomas suspeitos da Síndrome Fúngica

O mecanismo de instalação da Síndrome Fúngica ainda não é bem conhecido, mas tem-se observado maior frequência em usuários de longa data de inibidores da bomba de prótons – medicamentos como Omeprazol, pantoprazol, esomeprazol etc. – e indivíduos com disbiose.


É importante lembrar que as pessoas com algum fator que possa diminuir suas defesas também estão mais sujeitas a desenvolver Síndrome Fúngica, como:

  • Extremos de idade (idosos e crianças muito novas);

  • Imunocomprometidos.

Entretanto, o conhecimento sobre o microbioma humano continua crescendo e ainda há muito o que aprender sobre as causas do aparecimento dessa síndrome.


Como saber se eu tenho Síndrome Fúngica?

Nos casos indicados pelo médico assistente, deve ser realizada uma endoscopia digestiva com aspirado de líquido intestinal.

A endoscopia ajuda no diagnóstico da Síndrome Fúngica
A endoscopia ajuda no diagnóstico da Síndrome Fúngica

Isso é feito com a passagem do endoscópio, que normalmente avalia esôfago, estômago e duodeno, até o máximo possível de extensão do intestino delgado. Então, é coletada uma quantidade de secreção local, que é enviada ao laboratório para a testagem do crescimento de fungos e seu perfil de resposta a drogas usadas no tratamento.


Existe tratamento da Síndrome Fúngica?

O tratamento das infecções por fungos é conhecido na prática médica, todavia, como a Síndrome Fúngica ainda é pouco conhecida, um tratamento específico está por ser determinado.


O que sabemos é que o uso de drogas antifúngicas pode ajudar, mas há casos em que os sintomas não melhoram completamente.


Muito tem sido divulgado sobre dietas que podem controlar o crescimento dos fungos no trato gastrointestinal, mas os estudos que concluíram sobre esse benefício apresentam problemas metodológicos que impedem que possamos indicar a sua utilização.


Alimentação pode interferir

Alguns estudos não direcionados observaram que a colonização por cândida era mais comum em indivíduos que consumiam maior quantidade de carboidratos, maior quantidade de farinha de trigo refinada.


Já as pessoas que davam preferência a ingestão de proteínas, gorduras, queijos amarelos, queijo cotage, iogurte e evitavam a farinha de trigo, apresentavam menor incidência de detecção desse fungo.


Acompanhamento deve ser individualizado

Apesar de nada ser definitivo, é importante que o médico se lembre da Síndrome Fúngica, principalmente em pacientes com sintomas gastrointestinais atípicos, sem outra explicação. É preciso levar em conta que o diagnóstico não é simples e que o tratamento pode ser incerto.


Saibam que embarcar em dietas milagrosas não será a solução, mas um plano alimentar individualizado pode ajudar em alguns indivíduos.


Grande abraço!

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