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Câncer de intestino: 9 mitos e verdades

Após a melhora dos indicadores da pandemia, observamos um aumento significativo no diagnóstico das doenças malignas colorretais. Mas toda vez que falamos sobre esta doença, observamos que as dúvidas dos pacientes surgem de mitos e orientações mal-direcionadas.


Então, vamos falar sobre os mitos e verdades do câncer de intestino? Vamos tentar esclarecer, de maneira clara e científica, algumas das mais frequentes afirmativas que ouvimos em nossa clínica.


Mitos e verdades do câncer de intestino

A seguir, confira algumas dúvidas comuns sobre a doença e o esclarecimento se é um mito ou uma verdade.


1. “Se eu como bem, faço exercícios e não tenho vícios, não tenho que me preocupar com o câncer de intestino”


MITO

Ainda que hábitos de vida saudável sejam extremamente importantes e considerados a prevenção primária do câncer de intestino, nem sempre são suficientes.


Existem fatores genéticos relacionados à ocorrência dessa doença, e é necessário que todos façam a prevenção adequada do câncer, de acordo com idade e histórico familiar.


2. “Algumas regiões do país têm maior incidência de câncer de intestino”


VERDADE

Fatores socioculturais influenciam na ocorrência do câncer de intestino e, portanto, acredita-se que isso esteja associado a maior presença da doença nas regiões sul e sudeste. Uma das possibilidades pode ser:

É claro que, por ser um problema de origem multifatorial, características demográficas próprias de cada região também podem estar associadas.


3. “Quem não sente nada não precisa realizar a prevenção”


MITO

O câncer de intestino, principalmente nas fases iniciais, tem crescimento silencioso e não dá indícios. Por isso, é tão importante que o rastreamento seja indicado quando as pessoas não sentem nada.


4. “Existem populações mais susceptíveis a casos de câncer”


VERDADE

As pessoas afrodescendentes e descendentes de judeus da Europa Ocidental têm risco aumentado de desenvolver a doença, apesar de não se saber exatamente as causas. De toda forma, isso ajuda a direcionar e iniciar de maneira mais precoce o rastreamento.


5. “O câncer diagnosticado em pessoas com menos de 45 anos tende a ser mais grave”


VERDADE RELATIVA

De maneira geral, observamos que o câncer diagnosticado nos jovens têm uma evolução mais rápida e agressiva, mas isso não pode ser generalizado para todos os casos.


O câncer de intestino, quando identificado mais precocemente, tem uma taxa de cura excelente, e um problema que enfrentamos é o fato de o diagnóstico ser realizado de forma mais tardia nessas pessoas.


Precisamos lembrar da possibilidade de câncer de intestino em jovens, para que os identifiquemos em fases em que a cura seja alcançada.


6. “Câncer de intestino acontece em apenas um sexo”


MITO

Pode parecer óbvio que ambos os gêneros estejam em risco de serem acometidos pelo câncer colorretal, visto que todos temos intestino. O problema vem de uma cultura de acreditar que existe uma separação das especialidades por sexo, como é o caso da ginecologia e urologia.


No caso da coloproctologia, TODOS devem realizar a prevenção após a idade de 45 anos, mesmo que não tenha caso na família e não sinta nada.


7. “Colonoscopia virtual é melhor que a convencional porque não tem preparo”


MITO

Tanto a colonoscopia virtual quanto a convencional avaliam o nosso intestino, sendo uma delas por tomografia computadorizada (virtual), e a outra pela passagem de um aparelho que irá filmar o intestino.


Ambos, até o momento que escrevemos este texto, incorrem da necessidade de realizar uma preparação para limpar o intestino, pois os resíduos fecais impedem a visualização adequada das estruturas e prejudicam a qualidade da taxa de detecção de doenças.


8. “Todos que operam de câncer de intestino têm que ficar com a bolsa de colostomia”


MITO

Atualmente, a maioria dos pacientes submetidos a cirurgias de colectomia não precisam de ter o trânsito intestinal desviado. Realiza-se uma emenda do intestino no mesmo momento.

A bolsa de colostomia não é necessária em todos os casos de câncer de intestino
A bolsa de colostomia não é necessária em todos os casos de câncer de intestino

Os principais casos em que a colostomia é necessária são em pessoas com:

  • Tumores de reto muito próximo ao ânus

  • Lesões avançadas que acometem o assoalho pélvico

  • Grande risco de complicações cirúrgicas

Mesmo nesses casos, a maioria das colostomias são temporárias e serão revertidas em torno de 3 meses.


9. “Existem síndromes genéticas em que todos da família têm câncer de intestino”


VERDADE

Existem síndromes genéticas como a polipose adenomatosa familiar em que os indivíduos apresentam milhares de pólipos intestinais que acabarão por se transformar em câncer. Como essa herança é passada de geração em geração, com o tempo, se não tratados adequadamente, os parentes vão desenvolver câncer de intestino.


Sempre que forem identificadas pessoas com essa síndrome, os familiares têm que ser acompanhados e submetidos a aconselhamento genético. Antes que você fique assustado e comece a pensar em doenças, lembre-se que essas síndromes são raras e representam menos de 1% dos cânceres de colônicos.


Conclusão

Pronto, esperamos ter ajudado vocês a compreenderem os mitos e verdades sobre o câncer de intestino, essa doença tão grave. Para deixar a mensagem principal ainda mais gravada na cabeça de todos:


TODA pessoa com mais de 45 anos deve ser orientada pelo médico sobre a prevenção do câncer de intestino, mesmo que não sinta nada, não tenha história na família e que mantenha hábitos de vida saudável.

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