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Por que sedentarismo e obesidade são fatores de risco de câncer?

Vamos nos mexer? O sedentarismo e a obesidade são fatores de risco de câncer. E nada como começar o ano falando sobre esse tema muito relevante!


Mais um ano voou e já estamos em março, mês de grande importância para a coloproctologia – e, pessoalmente para mim, pois é dedicado à conscientização sobre o câncer de intestino e endometriose, duas áreas de grande interesse em nossa prática.


Para começar com o pé direito, gostaria de levantar alguns aspectos sobre a relação entre a incidência de alguns tipos de câncer e o comportamento sedentário, a atividade física regular e a obesidade.


Estudos ligam sedentarismo e câncer

Comprovar, de maneira científica, que há uma relação entre estilo de vida e prevenção de tumores nem sempre é fácil. Há muitos fatores associados que podem atrapalhar os resultados e levar a conclusões errôneas.


Exemplo errado de estudo sobre sedentarismo e câncer

Vejam o exemplo abaixo para entender melhor.


Cientistas resolvem comparar um determinado grupo de pessoas que fazem exercícios com outro grupo de comportamento sedentário. Os pesquisadores identificam que há maior incidência de câncer no segundo grupo.


Logo, é possível concluir que fazer exercício previne os tumores malignos?


Nesse caso, não!


Os grupos precisam ser avaliados por vários critérios para serem considerados comparáveis entre si. Por exemplo, imagine se existirem mais fumantes e etilistas (que bebem álcool) no grupo de sedentários? Isso significa que os casos de canceres podem estar relacionados com esses hábitos, e não ao sedentarismo.


Estudos reais sobre hábitos de vida e câncer

Mas os cientistas não desistem…


Por análises estatísticas multivariadas, foi estimado que cerca de 40% dos cânceres podem ser preveníveis por hábitos de vida saudáveis e fatores de risco modificáveis. Já falamos sobre isso em nosso texto sobre alimentação ultraprocessada e o risco de câncer.


Em 2021, foi publicado um estudo que analisou de maneira aprofundada as relações dos três fatores: sedentarismo, obesidade e atividade física, além do risco de câncer. A pesquisa conseguiu correlacionar de maneira direta algumas correlações interessantes e que veremos a seguir.


Sedentarismo e câncer

O comportamento sedentário é definido quando a pessoa gasta menos de uma vez e meia a energia metabólica de apenas sentar, reclinar ou deitar. É um pouco difícil de entender, mas, para simplificar, é a pessoa que, de maneira constante, permanece mais tempo em tarefas de baixo gasto energético.


Existem evidências de que pessoas com estilos de vida sedentários têm um risco aumentado de câncer de cólon, endométrio e pulmão.


Considerando o fato que o comportamento sedentário está relacionado ao aumento de risco para doenças degenerativas, cardiovasculares e endócrinas, devemos encorajar em todas as épocas da vida ações para estimular a adoção de atitudes proativas de exercício.


Atividade física e câncer

A definição do que é atividade física, a diferença entre atividades aeróbicas e anaeróbicas, a intensidade e a frequência delas não pode ser avaliada, pois a maioria da literatura médica é heterogênea. Isso dificulta a comparação entre estudos de diferentes centros de pesquisa.

Atividade física ajuda na prevenção do câncer e outras doenças
Atividade física ajuda na prevenção do câncer e outras doenças

De toda forma, os estudos têm identificado que níveis cada vez mais altos de exercícios físicos parecem ter um efeito diretamente proporcional na proteção contra os seguintes tipos de tumores:


  • intestino

  • mama

  • bexiga

  • endométrio

  • esôfago

  • estômago (câncer na cárdia)


Em outras palavras, o efeito da atividade física é diretamente proporcional, ou seja, quanto mais atividade, maior proteção, maior prevenção a doenças em geral, não apenas o câncer.


Obesidade e câncer

O ganho de peso associado a uma nutrição inadequada leva ao acúmulo excessivo de gordura.


Um dos métodos para medir isso é o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) – valor do peso da pessoa, em quilos, dividido pela altura da pessoa, em metros, elevada ao quadrado. Na internet, há várias calculadoras que facilmente conseguem definir o seu IMC.


Pessoas com IMC acima de 30 podem ser classificadas como obesas e, nessa população, pesquisa identificaram um risco aumentado de desenvolvimento de 13 tipos de cânceres:


  • intestino

  • endométrio

  • mama (após menopausa)

  • esôfago

  • rim

  • meningioma

  • pâncreas

  • estômago (região do cárdia)

  • fígado

  • mieloma múltiplo

  • ovário

  • vesícula biliar

  • tireoide

Quanto maior o excesso, maior o risco de câncer

O mais importante dos estudos que avaliaram essa relação é que quanto maior for o quadro de obesidade, maior o risco de câncer. Em outras palavras, é importante encorajar o controle do peso, pois mais benefício a pessoa terá.


Mas vamos ter cuidado com as interpretações! O respeito a todos deve vir em primeiro lugar. As informações nesse texto não devem, de maneira alguma, induzir a um pensamento gordofóbico ou de qualquer tipo de preconceito.


Esse texto tem como objetivo levantar questões de cunho científico, uma vez que, por meio de pesquisas científicas, é sabido que a obesidade é uma doença crônica, de causa multifatorial e de difícil tratamento.


Conclusão

De maneira geral, a mensagem que deve ficar para todos nós é que todo e qualquer direcionamento para hábitos saudáveis parece, sim, estar relacionado a ganhos na prevenção do câncer e outras doenças.


Juntos, podemos vencer! Até semana que vem, pessoal!


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