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Tratamento de Fístula Anal: VAAFT, Laser (FiLaC) e Células-Tronco — Qual Escolher?

  • há 22 horas
  • 5 min de leitura
Dr. Bruno Werneck coloproctologista realizando procedimento para tratar fístula anal

Boa tarde meu povo, como estão? Vamos falar um pouco sobre fístulas anais?


A fístula anal é uma comunicação anormal entre o interior do canal anal ou do reto e a pele ao redor do ânus. Na maioria das vezes, ela surge após uma infecção de uma glândula anal, que evolui inicialmente para um abscesso. Quando esse abscesso drena, espontaneamente ou por meio de uma cirurgia, pode permanecer um trajeto que mantém uma comunicação entre o canal anal e a pele: é a chamada fístula anal.


O tratamento de fístula anal é um dos desafios mais complexos da coloproctologia. Isso acontece porque, além de eliminar a fístula, é fundamental preservar a musculatura responsável pela continência fecal.


Fístulas simples e complexas


Em fístulas simples, a fistulotomia (abertura cirúrgica do trajeto) costuma apresentar excelentes resultados. Já nas fístulas complexas, principalmente aquelas que atravessam uma quantidade significativa do esfíncter anal, a situação é diferente. Nesses casos, cortar o trajeto da fístula pode significar lesionar parte do aparelho esfincteriano e aumentar o risco de incontinência.


Por isso, ao longo dos últimos anos, surgiram diversas técnicas chamadas de "preservadoras do esfíncter". Entre elas estão o VAAFT, os tratamentos com laser, como o FiLaC, e, em situações específicas, as terapias com células-tronco.


Mas será que essas técnicas são realmente novas soluções para qualquer tipo de fístula? E qual delas apresenta os melhores resultados?


VAAFT: tratamento da fístula anal por vídeo

O VAAFT, sigla em inglês para Video-Assisted Anal Fistula Treatment, é uma técnica minimamente invasiva desenvolvida com o objetivo de tratar a fístula sem realizar uma secção significativa do esfíncter anal.


Como funciona o VAAFT

O procedimento utiliza um pequeno aparelho chamado fistuloscópio, que permite ao cirurgião entrar diretamente no trajeto da fístula. Dessa maneira, é possível identificar o percurso do canal, localizar o orifício interno, que é a comunicação da fístula com o interior do ânus, e tratar o trajeto sob visão direta.


Durante o procedimento, o trajeto pode ser limpo e cauterizado, enquanto o orifício interno é fechado por diferentes métodos, como suturas, grampos ou clipes. A ideia é interromper a comunicação que mantém a fístula aberta, preservando a musculatura do esfíncter.


Essa característica faz do VAAFT uma alternativa particularmente interessante para algumas fístulas complexas ou altas, nas quais uma cirurgia convencional poderia comprometer a continência.


Resultados do VAAFT

Os resultados publicados são, de maneira geral, promissores. Estudos agrupados mostram taxas de cicatrização em torno de 70% a 85% no curto prazo, embora os resultados variem bastante entre os trabalhos.


O VAAFT apresenta uma característica muito importante: parece oferecer uma boa relação entre preservação da continência e possibilidade de cicatrização, mas não elimina o risco de recorrência. Em alguns pacientes, pode ser necessário repetir o procedimento ou associá-lo a outras estratégias.


A literatura também sugere que o VAAFT pode apresentar resultados semelhantes aos de técnicas cirúrgicas convencionais em determinados grupos, com vantagens relacionadas a:

  • Dor;

  • Perda sanguínea;

  • Tempo de internação;

  • Preservação da continência.


Em outras palavras: o VAAFT é uma alternativa interessante, principalmente quando a preservação do esfíncter é uma prioridade, mas não deve ser apresentado como uma técnica capaz de curar todas as fístulas.


Tratamento da fístula anal com laser (FiLaC)

Outra alternativa que ganhou espaço nos últimos anos é o tratamento da fístula anal com laser. Uma das técnicas mais conhecidas é o FiLaC, sigla para Fistula Laser Closure.


Como funciona o FiLaC

O princípio é diferente do VAAFT. Enquanto o VAAFT utiliza uma câmera para visualizar o interior do trajeto e realizar seu tratamento sob visão direta, o FiLaC utiliza uma fibra de laser introduzida no canal da fístula. A energia aplicada provoca a destruição e a contração do tecido do trajeto, com o objetivo de promover seu fechamento.


Assim como o VAAFT, o objetivo principal é evitar a divisão do músculo do esfíncter anal.


Resultados do FiLaC

Os resultados publicados para o FiLaC são bastante variáveis. Diferentes meta-análises encontraram taxas de cicatrização de aproximadamente 57% a 65%, dependendo da população estudada e do tempo de acompanhamento. Alguns estudos apresentaram resultados ainda mais modestos.


Uma meta-análise publicada em 2025, reunindo 24 estudos e mais de 1.500 pacientes, encontrou uma taxa de cicatrização primária de aproximadamente 57,5%. A recorrência ocorreu em cerca de 18,5% dos casos, e uma parcela considerável dos pacientes precisou de uma nova intervenção.


VAAFT x FiLaC: qual preserva mais a continência?

Quando comparamos o VAAFT com o FiLaC, não podemos concluir que uma técnica é melhor que a outra, mas a principal vantagem compartilhada pelas duas técnicas é a preservação da continência. Os estudos disponíveis indicam baixo risco de alteração da continência após VAAFT ou FiLaC.


Isso é especialmente relevante porque, no tratamento de fístula anal, o sucesso não deve ser medido apenas pela cicatrização. Uma cirurgia que fecha a fístula, mas provoca uma incontinência importante, pode não representar um bom resultado para o paciente.


Células-tronco no tratamento de fístulas anais

Quando falamos em células-tronco para o tratamento de fístulas anais, é importante fazer uma distinção fundamental: as células-tronco não são, atualmente, uma alternativa genérica para todos os tipos de fístula anal.


A estratégia mais estudada utiliza células-tronco mesenquimais, muitas vezes derivadas do tecido adiposo. Essas células possuem propriedades imunomoduladoras e podem ser aplicadas localmente em volta do trajeto da fístula após uma preparação cirúrgica adequada, que pode incluir:

  • Curetagem do trajeto;

  • Retirada do seton;

  • Fechamento do orifício interno.


Os resultados com o uso desta tecnologia são muito promissores, todavia não são considerados uma técnica cirúrgica isolada, mas sim um auxiliar para aumento da taxa de sucesso relacionado ao procedimento operatório.


VAAFT, laser ou células-tronco: qual escolher no tratamento de fístula anal?


ilustração mostrando o trajeto de uma fístula anal
Uma fístula anal é um pequeno túnel que liga o interior do canal anal à pele ao redor do ânus. Ela não melhora sozinha e quase sempre precisa de cirurgia

Essa é uma pergunta frequente, mas não existe uma resposta única. A escolha do tratamento depende de uma avaliação detalhada de fatores como:

  • A anatomia da fístula;

  • A relação do trajeto com os músculos do esfíncter;

  • A presença de abscessos ou ramificações;

  • Tratamentos realizados anteriormente;

  • A causa da fístula.


Nas fístulas criptoglandulares, que são aquelas que surgem a partir de uma infecção das glândulas anais e representam a maioria dos casos, técnicas como VAAFT e FiLaC podem ser consideradas em situações selecionadas, especialmente quando existe preocupação em preservar a musculatura esfincteriana.


Em casos complexos e refratários, a terapia com células-tronco pode ser considerada dentro de uma estratégia multidisciplinar.


É importante também entender que essas técnicas não são necessariamente concorrentes. O tratamento de uma fístula complexa pode exigir uma combinação de estratégias. O paciente pode, por exemplo, necessitar inicialmente de drenagem e colocação de seton para controlar a infecção e permitir a cicatrização adequada antes de uma cirurgia definitiva.


Em algumas situações, uma técnica minimamente invasiva pode ser repetida ou complementada por outro procedimento.


Boa semana a todos e até o nosso próximo encontro!


Dr. Bruno Werneck

CRM-MG 36.980 

Coloproctologista RQE 16.841

Cirurgião Geral RQE 22.235


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ATENDIMENTO

 De segunda a sexta, de 9 as 17h.

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